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Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (Diretriz Brasileira)

Aprova as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero

Última atualização: 21 de janeiro de 2025
120 páginas
Página 1

MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE

PORTARIA Nº 497, DE 9 DE MAIO DE 2016

Aprova as

Diretrizes

Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do

Colo do Útero.

O Secretário de Atenção à Saúde, no uso de suas atribuições,

Considerando a necessidade de se atualizarem parâmetros sobre o rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil e diretrizes nacionais para a sua utilização e

acompanhamento das mulheres a ele submetidas;

Considerando que os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas são resultado de consenso técnico-científico e são formulados dentro de rigorosos parâmetros de

qualidade e precisão de indicação;

Considerando as contribuições dadas à Consulta Pública No 1 SAS/MS, de 04 de fevereiro de 2016; e

Considerando

a

avaliação técnica

do

Instituto

Nacional de

Câncer

(INCA/SAS/MS), do

Departamento de

Atenção

Especializadas

e

Temática

(DAET/SAS/MS) e do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em

Saúde (DGITS/SCTIE/MS), resolve:

Art.

Ficam aprovadas,

na forma

do

Anexo, disponível

no sítio:

www.saude.gov.br/sas, as "Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do

Colo do Útero".

Parágrafo

único.

As diretrizes

de que

trata este

artigo, que

contêm as recomendações para rastreamento do câncer do colo do útero, são de caráter nacional

e

devem utilizadas pelas Secretarias de Saúde dos Estados, Distrito

Federal e

Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro e ressarcimento dos procedimentos correspondentes.

Art. 2º É obrigatória a cientificação da mulher, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e eventos adversos relacionados a procedimento diagnóstico ou

terapêutico de lesões do colo do útero detectadas pelo rastreamento.

Página 2

Art. 3º Os gestores estaduais, distrital e municipais do SUS, conforme a sua competência e pactuações, deverão estruturar a rede assistencial, definir os serviços

referenciais e estabelecer os fluxos para o atendimento das mulheres em todas as etapas descritas no Anexo desta Portaria.

Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

ALBERTO BELTRAME

Página 3

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Instituto Nacional de Câncer

José Alencar Gomes da Silva (INCA)

Diretrizes

Brasileiras para o

Rastreamento do Câncer

do Colo do Útero

2ª Edição revista, ampliada e atualizada

Página 4

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

DIRETRIZES BRASILEIRAS PARA O

RASTREAMENTO DO CÂNCER DO

COLO DO ÚTERO

2ª edição revista, ampliada e atualizada

Rio de Janeiro, RJ

INCA

2016

1

Página 5

2011 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva/Ministério da Saúde.

Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons - Atribuição - Não Comercial - Compartilha igual 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Esta obra pode ser acessada, na íntegra, na Área Temática Controle de Câncer da Biblioteca Virtual em Saúde - BVS/MS (http://bvsms.saude.gov.

br/bvs/controle_cancer) e no Portal do INCA (http://www.inca.gov.br).

Tiragem: 25.000 exemplares - 2ª edição revista, ampliada e atualizada - 2016

Elaboração, distribuição e informações

MINISTÉRIO DA SAÚDE

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA)

Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev)

Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede

Rua Marquês de Pombal, 125 - Centro - Rio de Janeiro - RJ

Cep: 20230-240

Tel.: (21) 3207-5512/ 5639

E-mail: atencao_[email protected] www.inca.gov.br

Comitê gestor de elaboração 1ª edição

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente

Fernandes Figueira/Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz)

Instituto de Ginecologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro

(IG/UFRJ)

Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e

Colposcopia (ABPTGIC)

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

(Febrasgo)

Comitê gestor de elaboração 2ª edição

Secretaria de Atenção à Saúde (SAS/MS)

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA/

SAS/MS)

Coordenação-Geral de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas

(CGAPDC/DAET/SAS/MS)

Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do

Adolescente Fernandes Figueira (IFF/FIOCRUZ/MS)

Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e

Colposcopia (ABPTGIC)

Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

(IG/UFRJ)

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

(Febrasgo)

Redação

Rede Colaborativa para a Qualificação do Diagnóstico e

Tratamento das Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero

Impresso no Brasil /

Printed in Brazil

Fox Print

FICHA CATALOGRÁFICA

Edição

COORDENAçãO DE PREVENçãO E VIGILÂNCIA (CONPREV)

Serviço de Edição e Informação Técnico-Científica

Rua Marquês de Pombal, 125 - Centro

20230-092 - Rio de Janeiro - RJ

Tel.: (21) 3207-5500

1ª edição

Supervisão Editorial

Letícia Casado

Edição e Produção Editorial

Taís Facina

Fabrício Fuzimoto (estagiário de Produção Editorial)

Revisão

Maria Helena Rossi Oliveira

Rita Machado

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação

Cecília Pachá

Ficha Catalográfica

Silvia Dalston

Revisão Bibliográfica

ATO Training

2ª edição

Supervisão Editorial

Taís Facina

Edição, Produção Editorial e Revisão

Maria Helena Rossi Oliveira

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação

Cecília Pachá

Ficha Catalográfica

Marcus Vinícius Silva / CRB 7 / 6619

Normalização Bibliográfica

Raphael Chança

Valéria Pacheco

I59d

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede.

Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero / Instituto

Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância.

Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede. - 2. ed. rev. atual. - Rio de

Janeiro: INCA, 2016.

114p. : il.

ISBN 978-85-7318-295-8 (versão impressa)

ISBN 978-85-7318-296-5 (versão eletrônica)

  1. Neoplasias do colo do útero. 2. Diretrizes para o planejamento em saúde. 3.

Programas de rastreamento. I. Título.

CDD 616.99466

Catalogação na fonte - Serviço de Edição e Informação Técnico-Científica

Títulos para indexação:

Em inglês: Brazilian Cervical Cancer Screening Guidelines

Em espanhol: Directrices Brasileñas para el Rastreo del Cáncer del Cuello Uterino

Página 6

Prefácio

Apresentamos a 2ª edição das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero.

Trata-se da revisão e atualização da 1ª edição, publicada em 2011, que, por sua vez, foi resultado da revisão, atualização e ampliação do segmento de recomendações da Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais

e Condutas Preconizadas - Recomendações para profissionais de saúde, publicada em 2006.

Esta publicação faz parte de um conjunto de materiais técnicos consoantes com as ações da Política

Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e visa a subsidiar os profissionais da saúde em suas práticas assistenciais e apoiar os gestores na tomada de decisão em relação à organização e estruturação da linha de

cuidados da mulher com câncer do colo do útero.

O desafio para esta revisão e atualização foi estabelecer um processo baseado em evidências e suficientemente amplo para, na perspectiva do Sistema Único de Saúde, definir recomendações que

incorporem as necessidades dos diversos segmentos da sociedade e sejam amplamente aceitas, factíveis e utilizadas pelas unidades e profissionais da saúde.

Nesse esforço, a Rede Colaborativa para a Qualificação do Diagnóstico e Tratamento das Lesões

Precursoras do Câncer do Colo do Útero teve a oportunidade de trabalhar com os demais membros do

Comitê de Especialistas para o Fortalecimento das Ações de Prevenção e Qualificação do Diagnóstico e

Tratamento dos Cânceres do Colo do Útero e de Mama, ambos criados pela Portaria nº 1.472/GM/MS, de

24 de junho de 2011 a

.

Com mais esta publicação, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva pretende, fiel à sua missão e em conjunto com as instituições representadas, contribuir de forma significativa para a

implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no Brasil.

a

A Rede Colaborativa para a Qualificação do Diagnóstico e Tratamento das Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero foi criada 'com a res- ponsabilidade de articular e promover a implantação de Centros Qualificadores de Ginecologistas para diagnóstico e tratamento das lesões precur-

soras do câncer do colo do útero, bem como definir critérios de produção e qualificação para a certificação de serviços de confirmação diagnóstica e de tratamento dessas lesões, entre outras atividades que objetivem aperfeiçoar a linha de cuidado para a prevenção e tratamento do câncer do colo

do útero no SUS.' Ela é 'coordenada por comissão composta de representantes dos seguintes órgãos: I - Secretaria de Atenção à Saúde (SAS/MS);

II - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA/MS); III - Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz/MS); IV - Associação

Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC); e V - Instituto de Ginecologia da UFRJ.' Já o Comitê de Especialistas para o Fortalecimento das Ações de Prevenção e Qualificação do Diagnóstico e Tratamento dos Cânceres do Colo do Útero e de Mama foi criado

para 'contribuir com base em evidências científicas aplicadas à saúde pública para respaldar e aperfeiçoar as diretrizes de ação formuladas' .

Página 7
Página 8

Agradecimento

A Rede Colaborativa para a Qualificação do Diagnóstico e Tratamento das Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero agradece aos integrantes do Comitê Gestor, do Comitê de Especialistas, líderes e integrantes

dos grupos revisores, participantes externos, participantes da Consulta Pública e apoiadores, citados no Anexo

1, pela incansável dedicação e compromisso com os trabalhos de revisão e atualização dessas Diretrizes.

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Página 10

Sumário

PREFÁCIO

AGRADECIMENTO

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

APRESENTAÇãO

Objetivo e método

Consulta pública

Diferenças em relação à versão de 2011

Como ler estas recomendações

Força da recomendação e nível de certeza

Referências

Parte I - Introdução

Breve histórico da prevenção do câncer do colo do útero no Brasil

Interface entre as diretrizes de detecção precoce do câncer do colo do útero e a organização da atenção à saúde no SUS

3

5

9

11

13

13

14

14

1

5

15

17

21

23

Nomenclatura citológica brasileira

25

Parte II - recomendações Para o rastreamento e o cuIdado às mulheres com alterações cItológIcas e susPeIta clínIca de carcInoma do colo do útero

RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES PARA A ATENÇãO PRIMÁRIA à SAúDE

Cobertura, periodicidade e população-alvo

Adequabilidade da amostra

Situações especiais

Outras situações especiais

Referências

RESULTADO CITOLóGICO NORMAL, ALTERAÇÕES BENIGNAS E qUEIxAS

GINECOLóGICAS

Resultado citológico dentro dos limites da normalidade no material examinado

Alterações celulares benignas (reativas ou reparativas)

Situações especiais

Referências

CéLULAS ESCAMOSAS ATíPICAS DE SIGNIFICADO INDETERMINADO

Células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas

31

32

35

36

38

39

41

41

41

44

45

47

47

Página 11

Situações especiais

51

Células escamosas atípicas de significado indeterminado, quando não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau

Situações especiais

Referências

CéLULAS GLANDULARES ATíPICAS

52

54

56

59

Células glandulares atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas ou células glandulares atípicas de significado indeterminado, quando não se pode

excluir lesão intraepitelial de alto grau

59

Situações especiais

Referências

CéLULAS ATíPICAS DE ORIGEM INDEFINIDA, POSSIVELMENTE NãO NEOPLÁSICAS OU

CéLULAS ATíPICAS DE ORIGEM INDEFINIDA, qUANDO NãO SE PODE AFASTAR LESãO

DE ALTO GRAU

Situações especiais

Referências

LESãO INTRAEPITELIAL ESCAMOSA DE BAIxO GRAU

Situações especiais

Referências

LESãO INTRAEPITELIAL ESCAMOSA DE ALTO GRAU

Seguimento pós-tratamento de NIC II/III

Situações especiais

Referências

LESãO INTRAEPITELIAL DE ALTO GRAU NãO PODENDO ExCLUIR MICROINVASãO OU

CARCINOMA EPIDERMOIDE INVASOR

Seguimento após tratamento conservador de carcinoma microinvasor do colo uterino

Situações especiais

Referências

ADENOCARCINOMA

in situ

Situações especiais

Referências

TóPICOS COMPLEMENTARES

Avaliação do canal endocervical

Coleta de espécimes para exame citopatológico concomitante à colposcopia

Medidas para auxiliar a visão da junção escamocolunar

Tipos de excisão

Referências

Parte III - anexos

ANExO 1 - PARTICIPANTES

ANExO 2 -

Links

PARA GRAVAÇÕES DAS REUNIÕES VIRTUAIS

ANExO 3 - TERMINOLOGIA COLPOSCóPICA DO COLO DO úTERO

ANExO 4 - CONFLITOS DE INTERESSE

62

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73

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99

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100

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112

113

E INVASOR

Página 12

Lista de ilustrações

Quadros quadro 1

  • Força da recomendação quadro 2

  • Nível de certeza

16

16

quadro 3

  • Nomenclatura citopatológica e histopatológica utilizada desde o início do uso do exame citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais e suas equivalências

26

quadro 4

  • Resumo de recomendações para conduta inicial frente aos resultados alterados de exames citopatológicos nas unidades de atenção básica

31

Figuras

Figura 1

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de ASC-US

Figura 2

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de ASC-H

Figura 3

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de AGC

Figura 4

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de células atípicas de origem indefinida

Figura 5

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com 25 anos ou mais e diagnóstico citopatológico de LSIL

Figura 6

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres até 24 anos com diagnóstico citopatológico de LSIL

Figura 7

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com 25 anos ou mais e diagnóstico citopatológico de HSIL

Figura 8

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres até 24 anos com diagnóstico citopatológico de HSIL

85

Figura 9

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico de HSIL, não podendo excluir microinvasão, carcinoma epidermoide invasor ou com suspeita clínica de invasão

93

Figura 10

  • Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de AIS ou adenocarcinoma invasor

97

Figura 11

  • Tipos de zona de transformação (reproduzido com autorização e traduzido de Prendiville,

103

50

53

61

66

72

74

81

Página 13
Página 14

Lista de abreviaturas e siglas

ABPTGIC

Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

AGC

AIS

ALTS

AOI

APS

ASCCP

ASCUS

ASC-H

ASC-US

CAF

DNA-HPV

DOU

DIU

EZT

Febrasgo

FIGO

Fiocruz

Fosp

HAART

HIV

HPV

HSIL

IBCC

IARC

IFCPC

IFF

Atypical glandular cells ou células glandulares atípicas de significado indeterminado

Adenocarcinoma in situ

ASCUS-LSIL Triage Study

Células atípicas de origem indefinida

Atenção Primária à Saúde

American Society for Colposcopy and Cervical Pathology

Atypical squamous cells of undetermined significance ou células escamosas atípicas de

significado indeterminado

Células escamosas atípicas de significado indeterminado não podendo excluir lesão intraepitelial de alto grau

Células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas

Cirurgia de alta frequência

DNA do papilomavirus humano

Diário Oficial da União

Dispositivo intrauterino

Exérese da zona de transformação

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia

Fundação Oswaldo Cruz

Fundação Oncocentro de São Paulo

Terapia antirretroviral de alta atividade

Human immunodeficiency virus ou vírus da imunodeficiência humana

Human papillomavirus ou papilomavírus humano

High-grade intraepithelial lesion ou lesão intraepitelial escamosa de alto grau

Instituto Brasileiro de Controle do Câncer

International Agency for Research on Cancer

International Federation of Colposcopy and Cervical Pathology

Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira

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IG/UFRJ

Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

INCA

JEC

LSIL

MS

NIC

OMS

PAISM

PNI

PRO-ONCO

QualiCito

RAS

SAS

SDM

SIG

Siscan

Siscolo

Sismama

SOE

SRC

SUS

USTV

Unicamp

USPSTF

ZT

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva

Junção escamocolunar

Low-grade intraepithelial lesion ou lesão intraepitelial escamosa de baixo grau

Ministério da Saúde

Neoplasia intraepitelial cervical

Organização Mundial da Saúde

Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher

Programa Nacional de Imunizações

Programa de Oncologia

Qualificação Nacional em Citopatologia na prevenção do câncer do colo do útero

Redes de Atenção à Saúde

Secretaria de Atenção à Saúde

Serviços de Referência para Diagnóstico do Câncer de Mama

Special interest group

Sistema de Informação de Câncer

Sistema de Informação do Câncer do Colo do Útero

Sistema de Informação do Câncer de Mama

Sem outras especificações

Serviços de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero

Sistema Único de Saúde

Ultrassonografia transvaginal

Universidade Estadual de Campinas

U.S. Preventive Services Task Force

Zona de transformação

Página 16

Apresentação

Rastreamento é o processo de identificação de pessoas aparentemente saudáveis que podem estar sob maior risco de doença 1

.

Diretrizes são recomendações de boas práticas resultantes do julgamento pelos envolvidos no cuidado em situações específicas e baseado nas melhores evidências científicas disponíveis

2 . Também se destinam a orientar os usuários do sistema de saúde, gestores e educadores para as melhores decisões numa área do

conhecimento 3 .

Todavia, não são regras que se aplicam universalmente, pois nunca serão contempladas todas as situações, cenários de prática e características e valores dos usuários dos serviços. Apesar de preverem a

maioria das situações, as decisões de maior impacto para a vida dos indivíduos e buscarem a maior efetividade e eficiência dos procedimentos, não devem substituir o julgamento médico, que deve usá-las

considerando a força de cada recomendação e, sempre que necessário, sua adaptação para aplicação em pacientes individuais

3

.

Este texto é resultado do esforço de mais de 60 profissionais diretamente envolvidos no cuidado às mulheres para a prevenção e detecção precoce do câncer do colo do útero ou em apoio a esse processo (Anexo 1).

Trata-se da atualização da versão anterior, publicada em 2011, amplamente aceita e utilizada pelos serviços especializados em nosso país e, também, como base para ações de planejamento e para capacitação profissional.

Esta versão é o produto do trabalho dos grupos revisores e do consenso de especialistas obtido em 11

reuniões virtuais por videoconferência e web conferência entre 2 de agosto de 2013 e 6 de junho de 2014 e deuma oficina presencial, ocorrida entre os dias 4 e 6 de agosto de 2014, no Rio de Janeiro. O texto foi revisto

por áreas técnicas do Ministério da Saúde, submetido à Consulta Pública no início de 2016 e aprovado através da portaria SAS 497 de 9 de maio de 2016.

Nesta edição, buscou-se ainda maior participação, incorporando mais profissionais às discussões virtuais e oficina presencial. Além de integrantes do Comitê Gestor e equipes revisoras, participaram

representantes do Comitê de Especialistas para o Fortalecimento das Ações de Prevenção e Qualificação do

Diagnóstico e Tratamento dos Cânceres do Colo do Útero e de Mama.

Objetivo e método

O objetivo dessa edição foi revisar e atualizar a edição anterior à luz de novas evidências e para responder a questões surgidas durante sua aplicação na prática assistencial.

Inicialmente, o Comitê Gestor identificou especialistas reconhecidos em nosso país para liderarem equipes revisoras. A seguir, um grupo de especialistas convidados fez a revisão dos capítulos da versão

anterior identificando oportunidades de melhoria ou necessidades de atualização. Cada texto revisto foi encaminhado a um líder de equipe revisora, que trabalhou em conjunto com seus colaboradores, buscando

evidências em artigos originais ou fontes secundárias de informação e encaminhou o texto atualizado e demais informações para o Comitê Gestor, que o repassou para os demais participantes.

Com o objetivo de facilitar a discussão entre os envolvidos e ampliar a participação, optou-se por reuniões virtuais, utilizando a Rede RUTE (

Special Interest Group

  • SIG de Patologia Cervical), além de uma sala virtual da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para acesso pela Internet (webRUTE). Essas reuniões

foram desenvolvidas em até três horas, numa frequência mensal. As reuniões também foram divulgadas por

13

Página 17

14

meio de um grupo no

Facebook

, no qual era possível a discussão de tópicos sugeridos pelos participantes ou abordados nas reuniões virtuais, e onde se encontram armazenadas as atas das reuniões virtuais (https://

www.facebook.com/groups/diretrizescolo/).

Após cada reunião virtual, obteve-se um texto resultante da discussão e do consenso obtido, que, após ajustes pelo grupo revisor, resultou num dos capítulos do texto levado à discussão na oficina presencial.

Durante a oficina presencial, novas contribuições foram incorporadas e rediscutidas ou ratificadas as recomendações, resultando num texto que foi submetido à Consulta Pública. Essas atividades estão gravadas

e podem ser revistas a qualquer momento nos links

existentes no Anexo 2.

Consulta Pública

A Consulta Pública é a fase em que qualquer interessado pode contribuir sugerindo modificações que tornem o texto mais claro, mais aplicável ou até apontando alguma inadequação.

O texto resultante do processo de revisão e atualização foi disponibilizado no período de 5 de fevereiro a 5 de março de 2016 no sítio do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Nesse

local, o interessado podia obter a íntegra do texto em exame e enviar sua contribuição por meio de um formulário eletrônico.

A divulgação foi feita após a publicação no Diário Oficial da União (DOU) número 25, de 5 de e-mail,

fevereiro de 2016, nos sítios do Ministério da Saúde, do INCA, por para os contatos dos participantes

do processo de revisão e atualização e pelo

Facebook

.

Nesse período, foram recebidas 14 contribuições. Seis contribuições foram feitas por profissional vinculado à indústria ou comércio de equipamentos e reagentes para diagnósticos, quatro de profissionais

vinculados a órgãos ou entidades do governo (Federal, Estadual ou Municipal), duas de profissionais vinculados a instituições de ensino e pesquisa e outras duas de profissional de saúde sem vínculo institucional.

Esses profissionais tomaram conhecimento da Consulta Pública por meio do DOU, contato de amigos, colegas ou profissionais de trabalho, sítios de órgãos do governo ou de associação, entidade de classe ou

instituição representativa de categoria ou setor da sociedade civil.

A maioria das contribuições foi referente à Cobertura, periodicidade e população-alvo (cinco contribuições). Outras questionavam ou sugeriam melhorias na Apresentação ou demais capítulos.

Do total das contribuições recebidas, seis foram aceitas integral ou parcialmente, pois melhoravam o texto original, e oito foram desconsideradas, pois sugeriam o uso de tecnologias ainda não disponíveis no

Sistema Único de Saúde (SUS), o que fugiria ao escopo deste texto. Todas as contribuições foram respondidas pelo Comitê Gestor, informando de seu aceite, total ou parcial, ou sua desconsideração, com a justificativa

para essa decisão.

Diferenças em relação à versão de 2011

A versão atual contém algumas novidades em relação à anterior:

O texto introdutório de cada capítulo, no qual é apresentada a relevância de cada diagnóstico citológico e as evidências nas quais as recomendações são baseadas, recebeu muitas

contribuições pela leitura crítica de mais profissionais e adição de novas evidências publicadas após a redação da edição anterior. Após cada referência, é mencionado o respectivo nível de

evidência considerado pelos revisores.

Foram introduzidas novas recomendações e algumas recomendações tiveram sua redação mais clara.

Os fluxogramas foram simplificados.

Página 18

Foi introduzido um capítulo de Tópicos Complementares, no qual são abordadas algumas situações com que podem se deparar os profissionais no cuidado a mulheres identificadas no

Rastreamento, de forma transversal, independente de um diagnóstico citológico específico.

As recomendações para o cuidado a mulheres até 20 anos foram estendidas para até 24 anos.

É utilizada a nova nomenclatura colposcópica internacional (Anexo 3)

4

.

Como ler estas recomendações

Este texto está dividido em duas partes, sendo a primeira introdutória e a segunda contendo as recomendações propriamente ditas, compreendendo cobertura, periodicidade e população-alvo e, a seguir,

5

um capítulo para cada grupo de atipias citológicas existentes na Nomenclatura Citológica Brasileira

.

Ao final, o leitor encontrará um capítulo denominado

Tópicos Complementares contendo evidências e

recomendações para abordagem de situações encontradas em mais de um capítulo.

Cada capítulo tem uma ou mais seções referentes a uma situação, característica ou atipia citológica. Em cada seção, há um texto introdutório contendo evidências obtidas na revisão da literatura que fundamenta

as recomendações que o seguem. Nesse trecho, as evidências extraídas da literatura foram classificadas em alta, moderada ou baixa, em função do seu risco de viés.

Cada recomendação é seguida por uma letra maiúscula entre parênteses, como no exemplo a seguir, que denota sua força, baseada no grau de certeza advindo da melhor evidência científica e do julgamento dos

participantes. Para conhecer o significado dessas letras, o leitor deve consultar os Quadros 1 e 2 existentes nas próximas páginas.

Exemplo de recomendação:

O método de rastreamento do câncer do colo do útero e de suas lesões precursoras é o exame citopatológico. Os dois primeiros exames devem ser realizados com intervalo anual e, se

A

ambos os resultados forem negativos, os próximos devem ser realizados a cada três anos (

).

Essa recomendação, extraída do capítulo referente à Cobertura, periodicidade e população-alvo, deve ser considerada como uma forte recomendação, pois existe alta convicção de que o benefício advindo da

prática é substancial em relação aos possíveis danos dela decorrentes.

Todavia, a classificação da força da recomendação utilizada não deriva, diretamente, do nível de evidência observada nos estudos identificados. Cada anotação de força de recomendação resulta do

julgamento de seu benefício frente aos danos decorrentes da prática, considerando, além das evidências científicas, o julgamento dos participantes no processo de sua elaboração.

O leitor observará que, apesar de a faixa etária até 24 anos não ser prioridade no rastreamento do câncer do colo do útero, existem recomendações referentes às mulheres até 24 anos, que visam a orientar

os profissionais quanto a como proceder na situação em que recebam mulheres com diagnóstico citológico alterado, principalmente evitando procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários ou iatrogênicos.

O uso judicioso dessas recomendações, considerando a experiência profissional e valores da paciente, configura uma boa prática médica e deve nortear a tomada de decisão em busca do maior benefício e

qualidade de vida

6

.

Força da recomendação e nível de certeza

Assim como na edição anterior, o Comitê Gestor optou, juntamente com os líderes de grupos revisores, pela utilização de parâmetros adaptados da

U.S. Preventive Services Task Force

(USPSTF) 7

para classificar graus de recomendações e níveis de evidência (Quadros 1 e 2).

15

Página 19

16

quadro 1 -

Força da recomendação

Grau

A

B

C

D

I

Definição*

A prática é recomendada. Há alta convicção de que o benefício líquido é substancial

A prática é recomendada. Há alta convicção de que o benefício líquido é moderado ou existe moderada

convicção de que o benefício líquido é moderado ou substancial

A prática não é recomendada rotineiramente.

Pode haver considerações que embasam a prática para um indivíduo. Existe pelo menos moderada

convicção de que o benefício líquido é pequeno

A prática não é recomendada. Existe moderada ou alta convicção de que a prática não tem benefício

líquido ou os danos superam os benefícios

A evidência atual é insuficiente para avaliar o balanço entre benefícios e danos decorrentes da

prática. Não há evidência ou é de baixa qualidade ou conflitante e o balanço entre benefícios e danos

decorrentes da prática não pode ser determinado

Sugestões para a prática

Ofereça ou forneça a prática

Ofereça ou forneça a prática

Ofereça ou forneça a prática apenas se outras considerações embasam essa

decisão para um indivíduo

Desencoraje o uso dessa prática

Leia o texto introdutório contendo evidências obtidas na revisão

da literatura que fundamenta a recomendação

Se a prática for oferecida, os pacientes devem entender que existe incerteza do

balanço entre benefícios e danos

A USPSTF define convicção como a 'probabilidade de que a avaliação pela USPSTF do benefício líquido de uma prática preventiva

é correta' . O benefício líquido é definido como o benefício menos o dano da prática quando implementado numa população geral.

quadro 2 -

Nível de certeza

Nível de Certeza*

Alta

Moderada

Baixa

Descrição

A evidência disponível usualmente inclui resultados consistentes de estudos bem desenhados e bem conduzidos em populações representativas dos cuidados aos quais

se aplicam. Esses estudos avaliam os efeitos da prática preventiva sobre os desfechos de saúde. Essa conclusão é então improvável de ser fortemente afetada pelos resultados de

estudos futuros

A evidência disponível é suficiente para determinar os efeitos da prática preventiva sobre os desfechos de saúde, mas a confiança nessa estimativa é limitada por fatores como:

O número, tamanho ou qualidade dos estudos individuais

Inconsistência de achados entre os estudos individuais

Limitada possibilidade de generalização dos achados à prática rotineira

Falta de coerência na cadeia de evidência

À medida que mais informações se tornem disponíveis, a magnitude ou direção do efeito observado pode mudar e essa mudança pode ser grande o suficiente para alterar

a conclusão

A evidência disponível é insuficiente para avaliar os efeitos nos resultados para a saúde porque:

Número ou tamanho limitado dos estudos

Importantes limitações nos desenhos dos estudos ou em seus métodos

Inconsistência de achados entre os estudos individuais

Falhas na cadeia de evidência

Os achados não são generalizáveis para a prática rotineira

Falta de informação sobre importantes resultados para a saúde

Mais informações podem permitir estimativas de efeitos nos resultados para a saúde

A USPSTF define convicção como a 'probabilidade de que a avaliação pela USPSTF do benefício líquido de uma prática preventiva

é correta' . O benefício líquido é definido como o benefício menos o dano da prática quando implementado numa população geral.

Página 20

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SERVICES

TASK

FORCE.

Grade

Definitions.

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<www.

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Nomenclatura brasileira

17

Página 21
Página 22

PARTE I - INTRODUÇÃO

19

Página 23
Página 24

Breve histórico da prevenção do câncer do colo do útero no Brasil

No Brasil, o controle do câncer do colo do útero teve seu ponto de partida em iniciativas pioneiras de profissionais que trouxeram para nosso meio a citologia e a colposcopia, a partir dos anos 1940.

O Presidente Juscelino Kubitschek patrocinou a construção, em 1956, do Centro de Pesquisas Luíza

Gomes de Lemos, da Fundação das Pioneiras Sociais, no Rio de Janeiro - atualmente integrado ao INCA - para atender aos casos de câncer de mama e aparelho genital feminino, e que tinha Arthur Campos da Paz

em sua direção. Esta, possivelmente, foi a primeira iniciativa de dimensão institucional direcionada para o controle do câncer do colo do útero em nosso país.

Em 1968, José Aristodemo Pinotti, iniciou um programa de controle do câncer do colo do útero para

Campinas e região com base na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No início dos anos 1970,

João Sampaio Góes Júnior iniciou programa semelhante, atingindo vários municípios do Estado de São

Paulo com base na Fundação Centro de Pesquisa em Oncologia - hoje designada Fundação Oncocentro de

São Paulo (Fosp) - e no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC). Outras iniciativas em menor dimensão ocorreram em outros locais do Brasil.

Entre 1972 e 1975, o Ministério da Saúde, por meio de sua recém-instituída Divisão Nacional de

Câncer, desenvolveu e implementou o Programa Nacional de Controle do Câncer, que se destinava a enfrentar o câncer em geral, mas que deu destaque ao rastreamento do câncer de colo do útero. Esta foi a

primeira ação de âmbito nacional do Ministério da Saúde para a prevenção do câncer do colo do útero.

Em 1984, foi implantado o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que previa que os serviços básicos de saúde oferecessem às mulheres atividades de prevenção do câncer do colo do

útero. A principal contribuição desse Programa foi introduzir e estimular a coleta de material para o exame citopatológico como procedimento de rotina na consulta ginecológica.

Em 1986, foi constituído o Programa de Oncologia (PRO-ONCO) que elaborou o projeto Expansão da Prevenção e Controle do Câncer Cervicouterino, identificando as ações necessárias para a expansão

do controle dessa neoplasia: integração entre os programas existentes e com a comunidade; ampliação da rede de coleta de material e da capacidade instalada de laboratórios de citopatologia; e articulação entre os

diversos níveis de atenção para o tratamento. Nesse sentido, uma grande contribuição do PRO-ONCO foi a realização da reunião nacional, em 1988, conhecida por Consenso sobre a Periodicidade e Faixa Etária no

Exame de Prevenção do Câncer Cervicouterino.

Após a criação do SUS pela Constituição de 1988, o INCA passou a ser o órgão responsável pela formulação da política nacional de prevenção e controle do câncer, incorporando o PRO-ONCO.

A manutenção das altas taxas de mortalidade por câncer do colo uterino levou o Ministério da Saúde a elaborar, ao longo de 1996, um projeto-piloto designado 'Viva Mulher' , dirigido a mulheres com idade

entre 35 e 49 anos. Foram desenvolvidos protocolos para a padronização da coleta de material e para o seguimento e conduta frente a cada alteração citológica. Introduziu-se também a cirurgia de alta frequência

(CAF) para tratamento das lesões pré-invasivas do câncer. Por ser um projeto-piloto, sua ação ficou restrita a Curitiba, Recife, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Belém e o Estado de Sergipe.

Com base nessa experiência, as ações foram expandidas, em 1998, para todo o Brasil como Programa

Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero - Viva Mulher, com a adoção de estratégias para estruturação da rede assistencial, estabelecimento de um sistema de informações para o monitoramento

21

Página 25

22

das ações (Siscolo) e dos mecanismos para mobilização e captação de mulheres, assim como definição das competências nos três níveis de governo.

1

Em 1998, foi instituído o Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo do Útero

, com a publicação da Portaria nº 3.040/GM/MS. A coordenação do programa foi transferida para o INCA por meio

da Portaria nº 788/GM/MS, de 23 de junho de 1999 2 . Foi também nesse ano que foi instituído o Sistema de Informação do Câncer do Colo do Útero (Siscolo) como componente estratégico no monitoramento e

gerenciamento das ações 3

.

Em 2005, foi lançada a Política Nacional de Atenção Oncológica, que estabeleceu o controle dos cân- ceres do colo do útero e de mama como componente fundamental a ser previsto nos planos estaduais e mu-

4

nicipais de saúde

. A importância da detecção precoce dessas neoplasias foi reafirmada no Pacto pela Saúde em 2006, por meio da inclusão de indicadores específicos na pactuação de metas com estados e municípios.

Nesse ano, também foi publicada pelo INCA a Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais de Condutas

Preconizadas, padronizando os diagnósticos citopatológicos e orientando os profissionais envolvidos no cuidado às mulheres com alterações citológicas identificadas no rastreamento.

Em 2010, o Ministério da Saúde, considerando a persistência da relevância epidemiológica do câncer do colo do útero no Brasil e sua magnitude social, instituiu um Grupo de Trabalho com a finalidade de

avaliar o Programa Nacional de Controle de Câncer de Colo do Útero 5 . Coordenado pelo INCA, o grupo debateu os avanços e desafios em seis áreas: gestão, acesso e cobertura do rastreamento, qualidade do exame

citopatológico, acesso e qualidade do tratamento, indicadores de impacto do programa do câncer do colo e novas tecnologias de controle. As conclusões e recomendações foram reunidas no Plano de Ação para

Redução da Incidência e Mortalidade por Câncer do Colo do Útero: Sumário Executivo, publicado pelo

INCA em 2010 6 .

A priorização do controle do câncer do colo do útero foi reafirmada em março de 2011, com o lançamento, pelo governo federal, de ações para o fortalecimento da rede de prevenção, diagnóstico e

tratamento do câncer. Em junho desse mesmo ano, o Ministério da Saúde instituiu os Comitês Gestores,

Grupos Executivos, Grupos Transversais e os Comitês de Mobilização Social e de Especialistas, organizados por meio de Redes Temáticas de Atenção à Saúde; entre elas, a Rede de Prevenção e Qualificação do

Diagnóstico e Tratamento do Câncer do Colo do Útero e Mama 7 .

Também, em 2011, foram publicadas pelo INCA as

Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do

Câncer do Colo do Útero

8

com a revisão e atualização das recomendações de conduta clínica existentes na Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais de Condutas Preconizadas, fruto de um trabalho em

conjunto com representantes do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente Fernandes

Figueira (IFF) da Fiocruz, e do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IG/

UFRJ), além da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC) e da

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

9

Em 2013, foi instituído o Sistema de Informação de Câncer (Siscan) no âmbito do SUS

. T rata-se de uma versão em plataforma

web que integra o Siscolo e o Sistema de Informação do Câncer de Mama (Sismama).

Em outras ações em 2013, o Ministério da Saúde redefiniu a Qualificação Nacional em Citopatologia na prevenção do câncer do colo do útero (QualiCito) no âmbito da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas

com Doenças Crônicas. A QualiCito consiste na definição de padrões de qualidade e na avaliação da qualidade do exame citopatológico do colo do útero por meio do acompanhamento, pelos gestores do SUS,

do desempenho dos laboratórios públicos e privados prestadores de serviços para o SUS

10

.

Já em 2014, foram definidos os Serviços de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões

Precursoras do Câncer do Colo do Útero (SRC) e os Serviços de Referência para Diagnóstico do Câncer de Mama (SDM), bem como os respectivos incentivos financeiros de custeio e de investimento para a sua

Página 26

implantação e os critérios para a habilitação das unidades, além do rol mínimo de exames necessários para o diagnóstico desses dois tipos de câncer

11

.

Ainda em 2014, o Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), iniciou a campanha de vacinação de meninas adolescentes contra o papilomavírus humano (HPV). A

vacina é a quadrivalente, oferecendo proteção contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Espera-se que a vacina traga relevante contribuição nas ações de prevenção do câncer do colo uterino. Nesse contexto, o Guia

Prático sobre HPV - Perguntas e Respostas - foi lançado pelo PNI, com a colaboração do INCA, buscando esclarecer as principais dúvidas sobre o tema

12

.

Apesar dos avanços de todo o SUS, continuar a reduzir a mortalidade por câncer do colo do útero no

Brasil ainda é um desafio a ser vencido.

Interface entre as diretrizes de detecção precoce do câncer do colo do útero e a organização da atenção à saúde no SUS

A estratégia atual para a organização da atenção à saúde em prol da efetiva garantia do direito à

atenção integral, de forma resolutiva, de qualidade e extensiva a todos os cidadãos, de acordo com suas necessidades, tem se baseado na instituição das Regiões de Saúde

.

Por definição, esses espaços geográficos contínuos são constituídos por agrupamentos de territórios ou municípios limítrofes, com a finalidade

de integrar a organização, o planejamento e a execução das ações e serviços de saúde para o controle de doenças, inclusive o câncer do colo do útero.

Delimitados esses territórios e definida a população a ser atendida, é esperado que os gestores locais configurem e implementem as Redes de Atenção à Saúde (RAS), ou seja, estruturem arranjos organizativos

de ações e serviços de saúde, articulados entre os diferentes níveis de complexidade e densidade tecnológica e integrados por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, no intuito de garantir a integralidade

do cuidado.

A RAS em sua matriz conceitual, além de reafirmar a regionalização, a hierarquização e descentralização como princípios a serem seguidos, recoloca a atenção primária como sendo a principal porta de entrada

das pessoas no sistema de saúde e a responsável pela coordenação do cuidado, inclusive no que se refere ao encaminhamento daquelas que necessitam ser atendidas nos pontos de atenção de diferentes níveis e

densidade tecnológica.

Dado o caráter das recomendações aqui estabelecidas, envolvendo profissionais de saúde especializados nos diversos tipos de cuidados e tecnologias para detecção precoce e confirmação diagnóstica do câncer de

colo do útero, é necessário que as RAS, construídas localmente a partir dos profissionais e recursos físicos e tecnológicos existentes, sigam cuidadosamente os fundamentos de economia de escala e escopo, acesso,

eficiência assistencial e sanitária e níveis de atenção.

Por entender que, nesse universo de ações, os serviços de saúde são os locais onde, de fato, o cuidado assistencial acontece, fica evidente a importância de implementar, divulgar e disseminar as diretrizes para a

detecção precoce do câncer do colo do útero entre os gestores e profissionais de saúde que trabalham 'na'

e 'para' as RAS. Para isso, é preciso deixar claro algumas características dos níveis de atenção que as RAS

devem articular e integrar.

23

Página 27

24

Atenção Primária à Saúde

A Atenção Primária à Saúde (APS) apresenta-se como o eixo estruturante do SUS e constitui-se como o primeiro nível de atenção na RAS, sendo enfatizada, cada vez mais, sua função de congregar um conjunto

de ações de promoção e proteção à saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde nas dimensões coletiva e individual, por meio de ações gerenciais e sanitárias

participativas e democráticas, trabalho em equipe, responsabilização sanitária e base territorial.

Dessa forma, suas três funções essenciais são: (i) resolver a grande maioria dos problemas de saúde da população; (ii) organizar os fluxos e contrafluxos dos usuários pelos diversos pontos de atenção à saúde, no

sistema de serviços de saúde, e (iii) responsabilizar-se pela saúde dos usuários em qualquer ponto de atenção

à saúde em que estejam.

É, assim, papel da atenção primária desenvolver ações para prevenção do câncer do colo do útero por meio de ações de educação em saúde, vacinação de grupos indicados e detecção precoce do câncer e de suas

lesões precursoras por meio de seu rastreamento.

O rastreamento é uma tecnologia da atenção primária, e os profissionais atuantes nesse nível de atenção devem conhecer o método, a periodicidade e a população-alvo recomendados, sabendo ainda

orientar e encaminhar para tratamento as mulheres de acordo com os resultados dos exames e garantir seu seguimento (vide Recomendações para a APS).

Atenção Secundária e Terciária

Como somente os serviços de APS não são suficientes para atender às necessidades de cuidados em saúde da população, outros pontos de atenção para a realização de ações especializadas (ambulatorial

e hospitalar), com maiores e diferentes densidades tecnológicas, devem ser previstos para apoiar e complementar a APS no lugar e tempo certos.

Lembrando sempre que, enquanto os serviços prestados pela atenção primária devem estar o mais próximo possível do local de moradia ou trabalho dos indivíduos, os serviços considerados de atenção

secundária e terciária - classificação dada de acordo com o grau de complexidade e densidade tecnológica assistencial que o serviço disponibiliza - devem servir de referência para um conjunto de unidades de

atenção básica e disponibilizar atendimento mediante encaminhamento por meio de sistemas logísticos, como, por exemplo, centrais de regulação.

Assim, a atenção especializada é composta por unidades que podem ou não estar localizadas na estrutura de um hospital, unidades ambulatoriais e serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, responsáveis

pela oferta de consultas e exames especializados. No caso do colo do útero, a unidade secundária deverá

confirmar o diagnóstico e tratar ambulatoriamente as lesões precursoras desse câncer pela realização de colposcopias, biópsias e excisão tipo 1 e algumas excisões do tipo 2

b

.

De modo geral, o fluxo de encaminhamento e a continuidade da atenção necessária para garantir a integralidade do cuidado na RAS para o controle do câncer do colo do útero dependem de planejamento,

organização e decisões dos gestores locais do SUS e de suas equipes técnicas.

b

Nesta versão, passou-se a utilizar a Nomenclatura Colposcópica preconizada pela

International Federation of Colposcopy and Cervical Pathology

Tópicos Complementares - Tipos de Excisão e o Anexo 3).

(vide

Página 28

Nomenclatura Citológica Brasileira

As nomenclaturas de uma maneira geral são desenvolvidas para facilitar a comunicação entre profissionais de áreas afins. À medida que a ciência e a tecnologia vão se desenvolvendo, novos conceitos

surgem e, em virtude das novas descobertas, é necessária a revisão periódica dessas nomenclaturas.

Em 1920, George Nicholas Papanicolaou elaborou uma técnica para estudar as células vaginais e as do colo uterino conhecida como método de citologia esfoliativa e, durante seus estudos, teve a oportunidade

de observar células malignas, propondo que a citologia esfoliativa fosse empregada para diagnosticar câncer do colo uterino

13

.

Papanicolaou utilizou os termos 'classes' na sua nomenclatura citopatológica e enfatizava que a única categoria conclusiva era a classe V, que significava conclusiva para malignidade. Essa classificação não levava

em conta a possibilidade de lesões precursoras, mas apenas a presença ou a ausência de malignidade, e não era possível fazer correlação histopatológica

14

.

Seguiram-se outras classificações como a de James W. Reagan (1953), que definia as displasias como anormalidades celulares intermediárias e que a maioria dessas lesões regredia ou permanecia inalterada por

muitos anos, mesmo não sendo tratadas. Reagan e Patten subdividiram as displasias em leve, moderada e acentuada 15

.

Nas décadas de 1960 e 1970, estudos prospectivos e de análise de ploidia de DNA provaram que displasia acentuada e carcinoma

in situ eram muito próximos, e uma nova classificação foi proposta por

Ralph Richart (Classificação de Richart) utilizando o termo neoplasia intraepitelial cervical (NIC), pois o termo displasia poderia levar a subtratamento nos casos de displasias acentuadas e sobretratamento nos

carcinomas in situ

com realização de histerectomia

16

.

Em virtude de muitos conflitos, devidos a diagnósticos citopatológicos discordantes dos achados histológicos e do conhecimento apontando aparente dicotomização biológica entre infecção pelo HPV

e neoplasia genuína, desencadeou-se, em 1988, a primeira de uma série de conferências de consenso em

Bethesda, Maryland (EUA), para desenvolver uma nova nomenclatura descritiva dos achados da citologia ginecológica, surgindo então a Nomenclatura de Bethesda 17 . Essa nova nomenclatura sugere que a doença

intraepitelial cervical não é um processo contínuo, mas sim um sistema de duas doenças descontínuas, criando o conceito de lesões intraepiteliais de baixo grau (LSIL) e lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL).

18

A lesão de baixo grau é de menos provável progressão para carcinoma invasivo

, diferentemente das lesões intraepiteliais de alto grau. Estas são predominantemente causadas por tipos de HPV oncogênicos, tendo

comportamento de lesão precursora do carcinoma invasivo. A Nomenclatura de Bethesda foi submetida a

, 2001

revisões em 1991 19

20

e 2014 21

.

Com a atualização do Sistema de Bethesda, em 2001, e considerando a necessidade de incorporar novas tecnologias e conhecimentos clínicos e morfológicos, o INCA e a Sociedade Brasileira de

Citopatologia promoveram o

Seminário para Discussão da Nomenclatura Brasileira de Laudos de Exames

Citopatológicos

  • CITO 2001 e, durante o

XVII Congresso Brasileiro de Citopatologia

, ocorrido em 2002, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, a nova proposta foi oficializada. Essa nomenclatura guarda semelhanças

com a Nomenclatura de Bethesda e continua em vigência até o presente momento, devendo ser a única nomenclatura utilizada para os laudos citopatológicos no SUS e nos laboratórios conveniados na sua rede

de serviços

22

.

O quadro a seguir expõe a nomenclatura citopatológica e histopatológica utilizada desde o início do uso do exame citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais e suas equivalências (Quadro 3). Nele,

a nomenclatura para os exames histopatológicos utilizada é a da Organização Mundial da Saúde (OMS) 23

.

25

Página 29

26

Para uma descrição completa das categorias diagnósticas atualmente utilizadas no Brasil, recomenda- se a consulta à Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais

22

.

quadro 3 -

Nomenclatura citopatológica e histopatológica utilizada desde o início do uso do exame citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais e suas equivalências

Classificação citológica de

Classificação

Classificação

Papanicolaou

(1941)

Classe

I

Classe II

Classe III

Classe IV

Classe V

histológica da

OMS (1952)

Displasia leve

Displasia moderada e

acentuada

Carcinoma in situ

Carcinoma invasor histológica de

Richart (1967)

NIC I

NIC II e

NICIII

NIC III

Carcinoma invasor

Sistema Bethesda

(2001)

Alterações benignas

Atipias de significado indeterminado

LSIL

HSIL

HSIL

Adenocarcinoma situ

(AIS)

Carcinoma invasor in

Classificação

Citológica Brasileira

(2006)

Alterações benignas

Atipias de significado indeterminado

LSIL

HSIL

HSIL

AIS

Carcinoma invasor

Página 30

guia de

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27

Página 31
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PARTE II - RECOMENDAÇÕES PARA

O RASTREAMENTO E O CUIDADO

ÀS MULHERES COM ALTERAÇÕES

CITOLÓGICAS E SUSPEITA CLÍNICA

DE CARCINOMA DO COLO DO ÚTERO

29

Página 33
Página 34

Resumo das recomendações para a Atenção

Primária à Saúde

Nesta seção, apresenta-se um resumo das recomendações iniciais frente às alterações citológicas, para orientação dos profissionais da Atenção Primária (Quadro 4).

Também se ressalta que muitas mulheres serão reencaminhadas para as unidades básicas, após diagnóstico ou tratamento, para seguimento citológico, conforme as diretrizes aqui explicitadas. Para tanto,

é recomendado aos profissionais da atenção secundária e terciária fazerem o reencaminhamento formal, com um resumo da história clínica, diagnóstico e tratamentos realizados, bem como orientar os profissionais da

Atenção Primária quanto ao seguimento.

quadro 4 -

Resumo de recomendações para conduta inicial frente aos resultados alterados de exames citopatológicos nas unidades de atenção básica

Diagnóstico citopatológico

Células escamosas

Possivelmente não neoplásicas atípicas de significado

indeterminado (ASCUS)

Células glandulares atípicas de significado

indeterminado (AGC)

Células atípicas de origem indefinida (AOI)

Lesão de Baixo Grau

(LSIL)

Lesão de Alto Grau (HSIL)

Lesão intraepitelial de alto grau não podendo

excluir microinvasão

Carcinoma escamoso invasor

Adenocarcinoma

(AIS) ou invasor in situ

(ASC-US)

Não se podendo afastar lesão de alto grau (ASC-H)

Possivelmente não neoplásicas ou não se podendo afastar

lesão de alto grau

Possivelmente não neoplásicas ou não se podendo afastar

lesão de alto grau

Faixa etária

< 25 anos

Entre 25 e 29

anos

≥ 30 anos

< 25 anos

≥ 25 anos

Conduta inicial

Repetir em 3 anos

Repetir a citologia em 12 meses

Repetir a citologia em 6 meses

Encaminhar para colposcopia

Encaminhar para colposcopia

Encaminhar para colposcopia

Repetir em 3 anos

Repetir a citologia em 6 meses

Encaminhar para colposcopia

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Encaminhar para colposcopia

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Cobertura, periodicidade e população-alvo

Decisões de como rastrear, quem rastrear e quando rastrear o câncer do colo do útero e suas lesões precursoras em populações assintomáticas são complexas e requerem uma análise balanceada e cuidadosa das

suas vantagens e desvantagens, como também dos custos decorrentes dessas ações. Nesse balanço, também deve ser considerada a ansiedade causada na mulher ou os possíveis reflexos da abordagem terapêutica no

futuro obstétrico com um teste alterado. Não existem repostas corretas ou precisas para essas questões.

O padrão predominante do rastreamento no Brasil é oportunístico, ou seja, as mulheres têm realizado o exame de Papanicolaou quando procuram os serviços de saúde por outras razões. Consequentemente,

20% a 25% dos exames têm sido realizados fora do grupo etário recomendado e aproximadamente metade deles com intervalo de um ano ou menos, quando o recomendado são três anos. Assim, há um contingente

de mulheres superrastreadas e outro contingente sem qualquer exame de rastreamento 1

.

Cobertura

A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia mais amplamente adotada

2

para o rastreamento do câncer do colo do útero

. Atingir alta cobertura da população definida como alvo é

o componente mais importante no âmbito da atenção primária, para que se obtenha significativa redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero. Países com cobertura superior a 50% do exame

citopatológico realizado a cada três a cinco anos apresentam taxas inferiores a três mortes por 100 mil mulheres por ano e, para aqueles com cobertura superior a 70%, essa taxa é igual ou menor a duas mortes

por 100 mil mulheres por ano 3

(evidência moderada).

No Reino Unido, em 1988, a cobertura do rastreamento do câncer do colo do útero era de 42% e a incidência entre 14 a 16 casos novos para cada 100 mil mulheres por ano. A partir da introdução de um

sistema de convocação das mulheres integrantes da população-alvo por meio de cartas-convites, a cobertura aumentou para 85% em 1994 e, nesse curto período e sem alterações das recomendações assistenciais vigentes,

a incidência do câncer do colo do útero caiu cerca de 50%, chegando a dez casos novos por 100 mil mulheres.

A rigor, utilizando cartas-convites, houve migração do rastreamento oportunístico, realizado no momento de um atendimento eventual, para um rastreamento organizado que progressivamente passou a controlar as

4

mulheres em falta com o rastreamento e de acordo com a periodicidade recomendada

(evidência moderada).

É consenso que o rastreamento organizado do câncer do colo do útero é o desafio a ser vencido para

3,5,6

que se obtenha a melhor relação custo-benefício possível com alta cobertura populacional

.

Periodicidade

A história natural do câncer do colo do útero geralmente apresenta um longo período de lesões precursoras, assintomáticas, curáveis na quase totalidade dos casos quando tratadas adequadamente,

conhecidas como NIC II/III, ou lesões de alto grau, e AIS. Já a NIC I representa a expressão citomorfológica de uma infecção transitória produzida pelo HPV e têm alta probabilidade de regredir, de tal forma que

atualmente não é considerada como lesão precursora do câncer do colo do útero

7,8

.

A Reunião de Consenso, realizada em 1988 pelo Ministério da Saúde, contou com a participação de diversos especialistas internacionais e nacionais, além de representantes de sociedades científicas e de diversas

instâncias ministeriais. Esse grupo definiu que, no Brasil, o exame citopatológico deveria ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade, uma vez por ano e, após dois exames anuais consecutivos negativos, a

9

cada três anos. A rigor, adotou-se para o Brasil a recomendação da OMS na época

.

Página 36

Tal recomendação apoiou-se em estudo realizado pela

International Agency for Research on Cancer

(IARC), publicado em 1986 e que envolveu oito países. Esse estudo, que serviu de base para toda uma geração de normas ainda hoje vigentes no mundo, demonstrou que, em mulheres entre 35 e 64 anos, depois

de um exame citopatológico do colo do útero negativo, o exame subsequente pode ser realizado a cada três anos, com eficácia semelhante à realização anual

10

. Esse estudo permitiu criar modelos que estimaram, após um exame citopatológico negativo e cobertura de 100%, uma redução percentual da incidência cumulativa

do câncer invasor do colo do útero de 93,5% para intervalos de até um ano entre os exames citopatológicos.

Para intervalos de até três anos entre os exames, a redução estimada é de 90,8% (evidência alta).

Quando a OMS estabeleceu as recomendações que deram origem às normas brasileiras, em 1988, um estudo publicado um ano antes tinha demonstrado que a proteção conferida em até dez anos por um exame

prévio negativo era de 58% e de 80% se dois exames fossem negativos

11

(evidência alta).

Estudos mais recentes têm confirmado que o exame citológico realizado a cada três anos é seguro

12-14 (evidência moderada).

após dois ou três resultados negativos

População-alvo

A definição de quais mulheres devem ser rastreadas tem sido objeto de muitos questionamentos.

É consenso que mulheres que nunca tiveram relação sexual não correm risco de câncer do colo do útero por não terem sido expostas ao fator de risco necessário para essa doença: a infecção persistente por tipos

oncogênicos do HPV.

Em relação à faixa etária, há vários fatos indicando que, direta ou indiretamente, o rastreamento em mulheres com menos de 25 anos não tem impacto na redução da incidência ou mortalidade por câncer do

colo do útero. O estudo da IARC, acima mencionado, estimou que, ao iniciar o rastreamento aos 25 anos de idade, e não aos 20 anos, perde-se apenas 1% de redução da incidência cumulativa do câncer do colo do

.

útero 10

Tomando dados do Registro Hospitalar de Câncer da FOSP, do período de 2000 a 2009, de um total de

11.729 casos de carcinoma invasor (todos os estádios), 121 casos foram diagnosticados em mulheres até 24

anos, o que correspondeu a 1,03% dos casos. Nos Estados Unidos, observou-se que apenas 1,1% dos casos de câncer invasor ocorreu em mulheres até 24 anos de idade, em uma amostra de 10.846 casos de câncer

invasor diagnosticados entre 1998 e 2003

15

.

Dados do Integrador de Registros Hospitalares de Câncer do Brasil, do período de 2007 a 2011, mostram que, de um total de 26.249 casos de carcinoma invasor com informação de estadiamento, 259

foram diagnosticados em mulheres até 24 anos, o que correspondeu a 0,99% dos casos 16,17 . Em relação

à mortalidade, nesse mesmo período, 0,56% dos óbitos por essa neoplasia ocorreram na faixa etária em questão 18

.

Entre 1.301.210 exames citopatológicos realizados em mulheres com menos de 24 anos de idade, em

2013, no Brasil, 0,17% dos exames tiveram resultado de HSIL e 0,006% tiveram resultado de câncer ou HSIL

não podendo excluir microinvasão 19

.

Além da baixa incidência de câncer do colo do útero em mulheres jovens, há evidências de que o rastreamento em mulheres com menos de 25 anos seja menos eficiente do que em mulheres mais maduras.

Um estudo caso-controle, no Reino Unido, que incluiu 4.012 mulheres com câncer invasor do colo do

útero mostrou dois resultados relevantes: o primeiro foi que 75% das mulheres de 20 a 24 anos que tiveram um câncer invasor já tinham pelo menos um exame citopatológico prévio. O segundo resultado foi que as

mulheres que tiveram câncer diagnosticado entre 25 e 29 anos não foram protegidas por controles citológicos realizados antes dos 24 anos

20 (evidência moderada).

33

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34

Outro estudo inglês mostrou que iniciar o rastreamento aos 20 e não aos 25 anos de idade resulta em substancial sobretratamento e um modesto benefício, pois para prevenir um caso de carcinoma invasor

do colo do útero seria necessário realizar de 12 mil e quinhentos a 40 mil exames adicionais em mulheres

21 (evidência moderada). Dados de Ontário, entre 20 e 24 anos e tratar entre 300 e 900 mulheres com NIC

Canadá, mostraram que não houve associação entre o rastreamento do câncer do colo do útero e redução da mortalidade em mulheres com menos de 30 anos 22 (evidência moderada).

A esses resultados, que mostram ineficiência ou baixa eficiência do rastreamento em mulheres com menos de 25 anos, agregam-se dois fatos: o primeiro é que há evidências de que o câncer do colo do útero que

é diagnosticado em mulheres muito jovens é mais agressivo e inclui tipos histológicos mais raros do que no grupo etário 25-29 anos. O segundo fato é que a citologia com diagnóstico de lesão intraepitelial escamosa de

alto grau (HSIL) em mulheres com menos de 25 anos corresponderia mais frequentemente à NIC II do que a

23

NIC III

(evidência moderada). As NIC II em mulheres muito jovens tendem a ter comportamento evolutivo

24

semelhante à lesão de baixo grau, com significativas taxas de regressão espontânea

(evidência moderada).

Outro fato relevante mais recentemente demonstrado é de que o tratamento de lesões precursoras do câncer de colo em adolescentes e mulheres jovens está associado ao aumento de morbidade obstétrica e

neonatal, como parto prematuro 25 (evidência alta). Portanto, reduzir as intervenções no colo do útero em mulheres jovens se justifica, tendo em vista que a grande maioria delas não tem prole definida.

Cabe ainda ressaltar a importância do impacto psíquico que o diagnóstico de uma doença sexualmente transmissível e precursora do câncer terá em adolescentes e adultas jovens sobre a autoimagem

e a sexualidade. Mulheres jovens sexualmente ativas devem ser orientadas sobre anticoncepção, doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro. Essas medidas podem ser implementadas sem a

necessidade de sua inclusão no programa de rastreamento do câncer do colo do útero.

Em resumo, a incidência do câncer invasor do colo do útero em mulheres até 24 anos é muito baixa e o rastreamento é menos eficiente para detectá-lo. Por outro lado, o início mais precoce representaria um

significativo aumento de diagnósticos de lesões de baixo grau, que apresentam grande probabilidade de regressão e resultam num aumento significativo de colposcopias e na possibilidade de sobretratamento,

acarretando maior risco de morbidade obstétrica e neonatal associado a uma futura gestação.

Há menos evidências objetivas sobre quando as mulheres devem encerrar o rastreamento do câncer do colo do útero. Mulheres com rastreamento citológico negativo entre 50 e 64 anos apresentam

uma diminuição de 84% no risco de desenvolver um carcinoma invasor entre 65 e 83 anos, em relação

às mulheres que não foram rastreadas. Por outro lado, à medida que aumenta o intervalo desde o último exame, há aumento discreto do risco de desenvolvimento de um novo carcinoma 26 (evidência moderada).

Mesmo em países com população de alta longevidade, não há dados objetivos de que o rastreamento seja efetivo após 65 anos de idade

27

.

Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero

Na última edição das

, publicada em 2011, elevou-se de 59 para 64 anos a idade da mulher sem história prévia de doença pré-invasiva para

encerrar o rastreamento, o que está em concordância com o conhecimento mais atual e com a grande maioria das recomendações vigentes.

Recomendações

O método de rastreamento do câncer do colo do útero e de suas lesões precursoras é o exame citopatológico. Os dois primeiros exames devem ser realizados com intervalo anual e, se ambos os resultados

forem negativos, os próximos devem ser realizados a cada 3 anos (A).

O início da coleta deve ser aos 25 anos de idade para as mulheres que já tiveram ou têm atividade sexual (A). O rastreamento antes dos 25 anos deve ser evitado (D).

Página 38

Os exames periódicos devem seguir até os 64 anos de idade e, naquelas mulheres sem história prévia de doença neoplásica pré-invasiva, interrompidos quando essas mulheres tiverem pelo menos dois exames

negativos consecutivos nos últimos cinco anos (B).

Para mulheres com mais 64 anos de idade e que nunca se submeteram ao exame citopatológico, deve- se realizar dois exames com intervalo de um a três anos. Se ambos os exames forem negativos, essas mulheres

podem ser dispensadas de exames adicionais (B).

Adequabilidade da amostra

Na atual Nomenclatura Citológica Brasileira, a adequabilidade da amostra é definida como satisfatória

28

ou insatisfatória. O termo anteriormente utilizado 'satisfatório, mas limitado' foi abolido

.

Amostra insatisfatória para avaliação

É considerada insatisfatória a amostra cuja leitura esteja prejudicada pelas razões ex postas abaixo,

29,30

algumas de natureza técnica e outras de amostragem celular, podendo ser assim classificada

:

Material acelular ou hipocelular (<10% do esfregaço).

Leitura prejudicada (>75% do esfregaço) por presença de sangue, piócitos, artefatos de dessecamento, contaminantes externos ou intensa superposição celular.

Recomendações

O exame deve ser repetido em 6 a 12 semanas com correção, quando possível, do problema que motivou o resultado insatisfatório (A).

Amostra satisfatória para avaliação

Designa amostra que apresente células em quantidade representativa, bem distribuídas, fixadas e coradas, de tal modo que sua observação permita uma conclusão diag nóstica.

Células presentes na amostra

Podem estar presentes células representativas dos epitélios do colo do útero:

Células escamosas.

Células glandulares (não inclui o epitélio endometrial).

Células metaplásicas.

Embora a indicação dos epitélios representados na amostra seja informação obrigatória nos laudos citopatológicos, seu significado deixa de pertencer à esfera de responsabilidade dos profissionais que realizam

a leitura do exame. As células glandulares podem ter origem em outros órgãos que não o colo do útero, o que nem sempre é identificável no exame citopatológico.

A presença de células metaplásicas ou células endocervicais, representativas da junção escamocolunar

(JEC), tem sido considerada como indicador da qualidade da coleta, pelo fato de essa coleta buscar obter elementos celulares representativos do local onde se situa a quase totalidade dos cânceres do colo do útero.

Uma metanálise de estudos que abordaram a eficácia de diversos dispositivos de coleta mostrou que o uso

35

Página 39

36

da espátula de Ayre e da escova de canal aumenta em cerca de três vezes a chance de obtenção de células endocervicais 31

(evidência alta). Estudo realizado no Brasil, entre 1992 e 1996, mostrou que a detecção de

NIC foi cerca de dez vezes maior no grupo em que as células da JEC estavam representadas 29 (evidência moderada).

A presença exclusiva de células escamosas deve ser avaliada pelo médico assistente. É muito importante que os profissionais de saúde atentem para a representatividade da JEC nos esfregaços cervicovaginais, sob

pena de não propiciar à mulher todos os bene fícios da prevenção do câncer do colo do útero.

Recomendações

Esfregaços normais somente com células escamosas em mulheres com colo do útero presente devem ser repetidos com intervalo de um ano e, com dois exames normais anuais consecutivos, o intervalo

passará a ser de três anos (B). Para garantir boa representação celular do epitélio do colo do útero, o exame citopatológico deve conter amostra do canal cervical, preferencialmente, coletada com escova apropriada, e

da ectocérvice, coletada com espátula tipo ponta longa (espátula de Ayre) (A).

Situações especiais

Gestantes

Gestantes têm o mesmo risco que não gestantes de apresentarem câncer do colo do útero ou suas lesões precursoras. O achado dessas alterações durante o ciclo grávido puerperal reflete a oportunidade do

rastreamento durante o pré-natal. Apesar de a JEC no ciclo gravídico-puerperal encontrar-se exteriorizada na ectocérvice na maioria das vezes, o que dispensaria a coleta endocervical, a coleta de espécime endocervical

32

não parece aumentar o risco sobre a gestação quando utilizada uma técnica adequada

.

Recomendações

O rastreamento em gestantes deve seguir as recomendações de periodicidade e faixa etária como para as demais mulheres, devendo sempre ser considerada uma oportunidade a procura ao serviço de saúde para

realização de pré-natal (A).

Mulheres na pós-menopausa

Mulheres na pós-menopausa, sem história de diagnóstico ou tratamento de lesões precursoras do

20,27 (evidência moderada).

câncer de colo uterino, apresentam baixo risco para desenvolvimento de câncer

O rastreamento citológico em mulheres menopausadas pode levar a resultados falso-positivos causados pela atrofia secundária ao hipoestrogenismo, gerando ansiedade na mulher e procedimentos

diagnósticos e terapêuticos desnecessários.

É fato que o diagnóstico de casos novos de câncer do colo uterino está associado, em todas as faixas etárias, com a ausência ou irregularidade do rastreamento. O seguimento de mulheres na pós-menopausa

deve levar em conta seu histórico de exames.

Recomendações

Mulheres na pós-menopausa devem ser rastreadas de acordo com as orientações para as demais mulheres (A). Se necessário, proceder à estrogenização previamente à realização da coleta, conforme

sugerido adiante (vide Exame citopatológico normal - Resultado indicando atrofia com inflamação) (B).

Página 40

Histerectomizadas

O rastreamento realizado em mulheres sem colo do útero devido à histerectomia por condições benignas apresenta menos de um exame citopatológico alterado por mil exames realizados 33

.

Recomendações

Mulheres submetidas à histerectomia total por lesões benignas, sem história prévia de diagnóstico ou tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento, desde que apresentem

exames anteriores normais (A).

Em casos de histerectomia por lesão precursora ou câncer do colo do útero, a mulher deverá ser acompanhada de acordo com a lesão tratada (A).

Mulheres sem história de atividade sexual

Considerando os conhecimentos atuais em relação ao papel do HPV na carcinogênese do colo uterino e que a infecção viral ocorre por transmissão sexual, o risco de uma mulher que não tenha iniciado atividade

sexual desenvolver essa neoplasia é desprezível.

Recomendações

Mulheres sem história de atividade sexual não devem ser submetidas ao rastreamento do câncer do colo do útero (D).

Imunossuprimidas

Alguns fatores de risco diretamente relacionados à resposta imunológica têm sido associados à

maior chance de desenvolvimento de NIC. Mulheres infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana

(HIV), mulheres imunossuprimidas por uso de imunossupressores após transplante de órgãos sólidos, em tratamentos de câncer e usuárias crônicas de corticosteroides constituem os principais exemplos desse

grupo. A prevalência da infecção pelo HPV e a persistência viral, assim como a infecção múltipla (por mais de um tipo de HPV), são mais frequentes nesse grupo de mulheres. Em mulheres infectadas pelo

HIV, o desaparecimento do HPV parece ser dependente da contagem de células CD4+, e lesões precursoras tendem a progredir mais rapidamente e a recorrer mais frequentemente do que em mulheres não infectadas

pelo HIV. Entretanto, mulheres imunocompetentes infectadas pelo HIV e tratadas adequadamente com terapia antirretroviral de alta atividade (HAART) apresentam história natural semelhante às demais

mulheres. Existem questionamentos quanto à eficácia do exame citopatológico em mulheres infectadas pelo HIV em razão da maior prevalência de citologias com atipias de significado indeterminado e maior

frequência de infecções associadas. Para minimizar os resultados falso-negativos, alguns autores preconizam a complementação colposcópica 34 .

É consenso que, pelas características mencionadas, as mulheres infectadas pelo HIV devem ser submetidas ao rastreamento citológico de forma mais frequente 35,36

. Diretrizes americanas recomendam a coleta anual da citologia após duas citologias semestrais normais e, em mulheres com linfócitos CD4+

abaixo de 200 células/mm 3

, realizar citologia e encaminhar para colposcopia a cada seis meses

35 . Também, considerando a maior frequência de lesões multicêntricas, é recomendado cuidadoso exame da vulva

(incluindo região perianal) e da vagina. No caso de a citologia mostrar inflamação acentuada ou alterações celulares escamosas reativas, realizar nova coleta citológica em três meses, após o tratamento adequado.

37

Página 41

38

Recomendações

O exame citopatológico deve ser realizado nesse grupo de mulheres após o início da atividade sexual com intervalos semestrais no primeiro ano e, se normais, manter seguimento anual enquanto se mantiver o

fator de imunossupressão (B).

Mulheres HIV positivas com contagem de linfócitos CD4+ abaixo de 200 células/mm 3 devem ter priorizada a correção dos níveis de CD4+ e, enquanto isso, devem ter o rastreamento citológico a cada seis

meses (B).

Outras situações especiais

Existe grande controvérsia e pobreza de evidências sobre eficácia e efetividade de práticas diferentes de rastreamento em algumas populações especiais, tais como indígenas e outras que podem estar mais

expostas a fatores sociais ou ambientais para o câncer do colo do útero.

Com a preocupação de não se contrapor a recomendações feitas por grupos que trabalham e pesquisam sobre condições e práticas de saúde nessas populações, houve consenso de que não deveriam ser

aqui abordadas recomendações específicas, devendo ser objeto de pesquisa e de recomendações em outros documentos.

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Página 44

Resultado citológico normal, alterações benignas e queixas ginecológicas

Resultado citológico dentro dos limites da normalidade no material examinado

É um diagnóstico completamente normal. A inclusão da expressão 'no material examinado' visa a estabelecer, de forma clara e inequívoca, aspectos do material submetido ao exame

1

(evidência alta).

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A).

Alterações celulares benignas (reativas ou reparativas)

A prevalência de NIC II/III subjacente em mulheres com alterações celulares benignas é baixa (cerca de 2%) 2

(evidência moderada).

Inflamação sem identificação de agente

É caracterizada pela presença de alterações celulares epiteliais, geralmente determinadas pela ação de agentes físicos, os quais podem ser radioativos, mecânicos ou térmicos, ou, ainda, químicos como

medicamentos abrasivos ou cáusticos, quimioterápicos e acidez vaginal sobre o epitélio glandular

3,4

(evidência alta). Ocasionalmente, podem-se observar alterações decorrentes do uso do dispositivo intrauterino (DIU),

em células endometriais e mesmo endocervicais 5,6

(evidência moderada). Casos especiais do tipo exsudato também podem ser observados nessas situações

7

(evidência alta). O exame de Papanicolaou apresenta evidentes limitações no estudo microbiológico e, assim, tais alterações podem se dever a patógeno não

3,4

identificado. Os achados colposcópicos comuns são ectopias, vaginites e cervicites

(evidência alta).

Segundo Dasari et al.

8

, alterações inflamatórias persistentes no exame citopatológico, mesmo após o tratamento específico, podem apresentar baixa proporção (6,9%) de NIC II/III e câncer e alta proporção de

NIC I (35,9%) (evidência moderada).

Existem recomendações em outras diretrizes para conduta nos casos de corrimento genital e doenças

9,10

sexualmente transmissíveis

.

Recomendações

Havendo queixa de corrimento ou conteúdo vaginal anormal, a paciente deverá ser conduzida conforme diretriz direcionada para o tratamento de corrimento genital e doenças sexualmente transmissíveis

(A). Seguir a rotina de rastreamento citológico como para as mulheres com resultado normal (A). Na

41

Página 45

42

ausência de queixa ou evidência clínica de colpite, não há necessidade de encaminhamento para exame ginecológico ou tratamento ou repetição do exame citopatológico (D). O exame citopatológico não deve ser

utilizado para diagnóstico dos processos inflamatórios ou infecciosos vaginais (D).

Resultado citológico indicando metaplasia escamosa imatura

A palavra 'imatura' , em metaplasia escamosa, foi incluída na Nomenclatura Brasileira para Laudos

Citopatológicos buscando caracterizar que essa apresentação é considerada como do tipo reparativa

4

(evidência alta).

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A).

Resultado citológico indicando reparação

Decorre de lesões da mucosa com exposição do estroma e pode ser determinado por quaisquer dos

4

agentes que determinam inflamação. É, geralmente, a fase final do processo inflamatório

(evidência alta).

11

Segundo Colgan et al.

, num estudo sobre o desempenho diagnóstico de profissionais e laboratórios como parte de um programa de comparação de resultados do

College of American Pathologists

, a reparação pode promover resultados falso-positivos, mas também pode ser uma fonte de resultados falso-negativos,

variando de 0,47% para carcinoma escamoso a 5,41% para lesão de baixo grau (evidência baixa).

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A).

Resultado citológico indicando atrofia com inflamação

Na ausência de atipias, é um achado fisiológico após a menopausa, o pós-parto e durante a lactação.

Existem evidências apontando para dificuldade em se fazer o diagnóstico diferencial entre atrofia vaginal e

12-15

lesões intraepiteliais escamosas de baixo e alto grau

(evidência alta). O uso de terapia estrogênica tópica

13

diminui as alterações celulares degenerativas e proporciona um esfregaço com um fundo limpo

(evidência moderada). Não foram encontradas evidências para embasar uma conduta com objetivo de melhorar a

qualidade do esfregaço. Por outro lado, foram encontradas evidências de qualidade para o tratamento da vaginite atrófica, que pode ser usado para melhorar a qualidade do esfregaço. A síntese dessas evidências

favorece o tratamento tópico com estrogênios conjugados

16-19

(evidência alta) ou estriol

20-22

(evidência alta). Apesar das evidências favoráveis às duas possibilidades terapêuticas, não foram encontrados estudos

comparativos que permitam recomendar uma das duas opções.

Embora a absorção sistêmica do estrogênio tópico seja mínima, seu uso deve ser cauteloso nas mulheres

23-26

com história de carcinoma de mama ou que fazem uso dos inibidores da aromatase

(evidência alta).

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A). Na eventualidade do laudo do exame citopatológico mencionar dificuldade diagnóstica decorrente da atrofia, a estrogenização deve ser feita por meio da via

vaginal com creme de estrogênios conjugados em baixa dose (0,5 g de um aplicador, o que contém 0,3 mg

Página 46

do princípio ativo) ou estriol vaginal, um grama com aplicador vaginal toda noite, durante 21 dias (B). A

nova citologia será coletada entre cinco a sete dias após a parada do uso (B).

Nas pacientes com história de câncer de mama ou outras contraindicações, o uso de estrogênios deve ser avaliado para cada paciente individualmente. O esquema recomendado pode ser o mesmo utilizado para

as mulheres da população geral, como descrito acima pelo período máximo de 21 dias (B).

Resultado citológico indicando alterações decorrentes de radiação ou quimioterapia

Esse achado pode ocorrer nos casos de mulheres tratadas por radioterapia pélvica

27,28

(evidência alta).

A combinação de alterações celulares e anatômicas pós-radioterapia pode complicar tanto a coleta

(evidência alta). Embora os efeitos da radiação como a avaliação do esfregaço citológico pós-radiação 29

sobre as células cervicais diminuam após seis semanas do término da radioterapia

30

(evidência moderada), eles são definitivos e podem ser observados por muitos anos 31

(evidência alta). As mulheres submetidas

à radioterapia pélvica com ou sem braquiterapia frequentemente apresentam sintomas vaginais crônicos, tais como estenose (59%), ressecamento (47%), inflamação (29%) e sangramento (31%), entre outros 32

(evidência alta). O comprometimento vaginal é mais frequente e acentuado quando a radioterapia é associada

23

à quimioterapia 33

(evidência alta). A Sociedade Americana para Estudos sobre a Menopausa indica uso de

estrogênio tópico em baixa dose para estimular a regeneração epitelial, cicatrização e elasticidade da vagina

(evidência alta).

A quimioterapia também pode afetar as células do colo do útero. O esfregaço mostra células anormalmente aumentadas, com núcleos que parecem discarióticos, porém os demais elementos celulares

presentes na amostra aparentam ser perfeitamente normais 34 . Também pode ser observada multinucleação

35

de células não neoplásicas

.

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A). A radioterapia ou a quimioterapia prévias devem ser mencionadas na requisição do exame (A).

Achados microbiológicos

Lactobacillus sp.

Cocos.

Outros Bacilos.

São considerados achados normais, pois fazem parte da microbiota normal da vagina. Na ausência

5

de sinais e sintomas, a presença desses microorganismos não caracteriza infecção que necessite tratamento

(evidência alta).

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A). A paciente com sintomatologia, como corrimento, prurido ou odor genital anormal, na presença de agentes patogênicos (

Gardnerella

/

mobiluncus sp

,

Trichomonas vaginalis

,

Candida sp

) deve ser abordada conforme diretriz específica (A).

43

Página 47

44

Citologia com células endometriais normais fora do período menstrual ou após a menopausa

A presença de células endometriais espontaneamente esfoliadas, numa amostra citopatológica obtida fora do período menstrual ou

de mulher na pós-menopausa, sem uso de terapia hormonal, ainda que mostrando aparência típica, demanda investigação da cavidade endometrial visto a possibilidade

de sinalizarem uma anormalidade glandular no endométrio 35 . A revisão de Bethesda 2014 recomenda o relato da presença de células endometriais fora período menstrual após os 45 anos de idade, pois estudos

comprovam o aumento do valor preditivo desse achado nessa faixa etária

36

.

Recomendações

Seguir a rotina de rastreamento citológico (A). Avaliar indicação de investigação da cavidade endometrial (I).

Situações especiais

Mulheres na pós-menopausa, gestantes e imunodeprimidas com alterações celulares benignas não demandam recomendações especiais.

Página 48

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Células escamosas atípicas de significado indeterminado

Categoria de diagnóstico citopatológico criada pelo Sistema Bethesda em 1988. O termo células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS -

atypical squamous cells of undetermined significance

) foi definido como achados citológicos caracterizados pela presença de alterações celulares insuficientes para o diagnóstico de lesão intraepitelial, mas alterações mais significativas do que as

encontradas em processos inflamatórios 1

. Como a nova categoria apresentava limitações por não definir se as alterações citológicas eram regenerativas ou neoplásicas, houve uma revisão dessa classificação em 2001.

Essa categoria foi então reclassificada em células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US)

e células escamosas atípicas de significado indeterminado não podendo excluir lesão intraepitelial de alto grau

(ASC-H) 2 .

Essa subclassificação foi adotada pela Sociedade Brasileira de Citopatologia a partir de 2002, com as seguintes categorias: células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas

(ASC-US), em correspondência com a classificação ASC-US de Bethesda, e células escamosas atípicas de significado indeterminado não podendo excluir lesão intraepitelial de alto grau, como no Sistema Bethesda

3

.

Atualmente, as categorias de ASCUS, independente de sua subclassificação, representam a atipia citológica mais comumente descrita nos resultados dos laudos citopatológicos do colo do útero. Segundo

, no Brasil, esses diagnósticos citológicos representaram 1,6% de dados registrados no Siscolo, em 2013 4

todos os exames realizados e 57% de todos os exames alterados.

Células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas

A prevalência desse diagnóstico citológico no Brasil foi de 1,4% entre todos os exames realizados e de

48,8% considerando-se apenas os resultados alterados, em 2013

4

.

Entre as mulheres com esse diagnóstico, é observada prevalência de NIC II/III em 6,4% a 11,9% dos casos e de câncer, em 0,1% a 0,2% 5 . Estudo realizado com mulheres atendidas pelo SUS na cidade do Rio

de Janeiro 6 mostrou uma prevalência de 1,85% (IC95%: 0,0-4,64%) de NIC II/III em mulheres com esse diagnóstico citopatológico (evidência moderada). Outros estudos mostram uma prevalência de NIC II ou

mais grave em 0,8% a 1,3% em mulheres com citologia de ASC-US 7,8 (evidência moderada).

Importante limitação que dificulta a estimativa de risco de presença de doença pré-invasiva

(NIC II/III) ou invasiva (câncer) em mulheres com diagnóstico citopatológico de ASC-US é sua baixa reprodutibilidade, ou seja, existe considerável variação entre observadores diferentes e, possivelmente, por

um mesmo observador em momentos diferentes. Estudos de variação entre observadores demonstram

9 (evidência moderada). Baseando-se nesse concordância entre citopatologistas que varia entre 35% a 45%

fato e na correlação com doença de baixa gravidade para a grande maioria das mulheres, uma conduta conservadora, pouco invasiva, parece razoável. Fatores como rastreamento citológico prévio sem suspeita de

doença pré-invasiva ou invasiva e idade da mulher devem ser considerados nessa decisão, pois, nas situações

47

Página 51

48

de menor risco, uma conduta conservadora também parece adequada. Na avaliação do risco de doença pré- invasiva ou invasiva, deve-se considerar que a lesão invasiva do colo do útero é claramente mais prevalente

na quarta e quinta décadas de vida da mulher (entre 35 e 55 anos)

10

(evidência alta), quando se justifica uma investigação mais acurada da doença.

Observa-se similaridade de recomendações de conduta frente a uma mulher com ASC-US, quando se

11

consideram as diretrizes adotadas na França

, Reino Unido

12

, Austrália

13

e Nova Zelândia

14

. Esses documentos recomendam a repetição da citologia entre seis e 12 meses. Na Nova Zelândia, utiliza-se o ponto de corte

de 30 anos para determinar o intervalo de 12 meses para repetição da citologia em função de evidências de que o tempo médio para que o HPV não seja mais detectado é de seis a 18 meses. E como a infecção pelo

HPV oncogênico é mais persistente nas mulheres com 30 anos ou mais, estas têm maior probabilidade

14 . O encaminhamento para a colposcopia é determinado, caso esse de apresentarem lesões pré-invasivas

resultado seja mantido. Na revisão das diretrizes da Sociedade Americana de Colposcopia e Patologia

Cervical (ASCCP -

American Society for Colposcopy and Cervical Pathology

), publicadas em 2013, afirma-se que a utilização do Teste de HPV oncogênico para mulheres acima de 25 anos é preferível do que a repetição

da citologia. Essa mesma diretriz recomenda que o uso do teste de HPV oncogênico é aceitável nas mulheres entre 21 e 24 anos com ASC-US, mas repetir a citologia é preferível

15

. Nas diretrizes publicadas pela Coreia do Sul 16

e pela Argentina

17 , ambas em 2013, o teste do HPV oncogênico também é indicado após o resultado de citologia mostrando ASC-US. Outros estudos publicados recentemente mostram que o seguimento com

teste de HPV nas mulheres com citologia de ASC-US diminui o risco de não se fazer o diagnóstico de lesões mais graves nesses casos

18,19

.

Todavia, essa proposta ainda implica em uso de tecnologia não disponível no SUS e não dispensa a citologia.

Recomendações

Diante de um resultado de exame citopatológico de ASC-US, a conduta na mulher com 30 anos ou mais será a repetição desse exame num intervalo de seis meses (A). A segunda coleta deve ser precedida,

quando necessário, do tratamento de processos infecciosos e de melhora do trofismo genital, com uso prévio de estrogênio (para mulheres após a menopausa, conforme recomendado em Citologia Normal - Resultado

indicando atrofia com inflamação), na unidade de atenção básica. Para as mulheres com idade inferior a 30

anos, a repetição do exame citopatológico deverá ser realizada em 12 meses (B).

Se dois exames citopatológicos subsequentes com intervalo de seis (no caso de mulheres com 30

anos ou mais) ou 12 meses (no caso de mulheres com menos de 30 anos) forem negativos, a mulher deverá

retornar à rotina de rastreamento citológico trienal (B); porém, se o resultado de alguma citologia de repetição for igual ou sugestiva de lesão intraepitelial ou câncer, a mulher deverá ser encaminhada à unidade

de referência para colposcopia (A).

No caso de a colposcopia mostrar achados anormais maiores (sugestivos de NIC II/III) ou suspeitos de invasão, deve-se realizar a biópsia (A). Se o resultado for de NIC II/III ou câncer, a conduta será específica

para esse resultado (vide Lesão intraepitelial escamosa de alto grau e Carcinoma epidermoide invasor) (A).

Em caso de colposcopia com JEC visível e com achados anormais menores (sugestivos de NIC I), a biópsia poderá ser dispensada se a mulher tiver menos de 30 anos, história de rastreamento prévio negativo

para lesão intraepitelial ou câncer e possibilidade de seguimento (B). Esse seguimento deverá ser feito na unidade de atenção básica com exames citopatológicos semestrais até dois exames consecutivos negativos,

quando deverá retornar ao rastreamento trienal, ou até que surja um diagnóstico citológico diferente que direcione para outra conduta (A). No caso de mulheres com JEC não visível ou parcialmente visível,

deverá ser feita a avaliação do canal endocervical (conforme Tópicos Complementares - Avaliação do canal endocervical) (B) e a conduta deverá seguir o resultado desses exames (A).

Página 52

Mulheres com mais de 30 anos e achados colposcópicos anormais, com história de NIC II/III ou câncer ou com rastreamento prévio desconhecido, deverão ser submetidas à biópsia (A).

No caso de colposcopia em que a JEC não for completamente visível e sem achados anormais, recomenda-se a avaliação do canal endocervical (conforme Tópicos Complementares - Avaliação do canal

endocervical) (B), e, caso negativa ou o escovado endocervical mantenha ASC-US, a mulher deverá ser seguida na unidade de atenção básica com novos exames citopatológicos a cada seis meses (nas mulheres

com 30 anos ou mais) ou anual (na mulheres com menos de 30 anos) (B) até dois exames consecutivos negativos, quando deverá retornar ao rastreamento trienal, ou até que surja um diagnóstico citológico

diferente que direcione para outra conduta (A). Caso o escovado ou outro espécime endocervical tenha resultado de maior relevância, a conduta será a recomendada para esse novo resultado (A).

Considerando-se a baixa prevalência de doença pré-invasiva e câncer nas mulheres com citologia de

ASC-US, o tratamento é baseado tão somente no aspecto colposcópico ('Ver e Tratar') é inaceitável (D).

As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de ASC-US são apresentadas na Figura 1.

49

Página 53

Figura 1 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de ASC-US

50

Página 54

Situações especiais

Mulheres até 24 anos

Mulheres com idade inferior a 25 anos representam um grupo com maior incidência e prevalência de infecção por HPV, porém a maioria dessas infecções tem resolução espontânea. Saeed-Vafa et al. observaram

que adolescentes com citologia de ASC-US poderiam ser acompanhadas porque só apresentaram alterações citopatológicas mais relevantes (numa frequência de 0,02%) quando atingiram idade entre 21 e 25 anos 20

(evidência moderada).

Apesar de essa faixa etária não ser alvo do rastreamento do câncer do colo do útero, as recomendações que seguem visam a orientar os profissionais como proceder na situação em que recebam essas mulheres

com esse diagnóstico citológico.

Recomendações

Se a mulher até 24 anos tiver sido submetida ao exame citopatológico e apresentar ASC-US, a citologia deverá ser repetida em três anos (I). Caso se mantenha essa atipia, deverá manter seguimento citológico trienal

(I). No caso de novo exame normal, reiniciar o rastreamento aos 25 anos (B). No caso de a citologia se manter

ASC-US ou de maior gravidade, a partir dos 25 anos deverá ser encaminhada para colposcopia (B).

Gestantes

A incidência do câncer do colo do útero na gestação é rara, ocorrendo de um a 15 casos para 10 mil gestações e não superior aos demais períodos da vida da mulher

21 (evidência moderada).

Recomendações

A conduta em caso de citologia de ASC-US não deve ser diferente na gestante (B). Na colposcopia, realizar biópsia apenas se houver suspeita de lesão invasiva (A).

Mulheres na pós-menopausa

Alterações nucleares em citologia de mulheres na pós-menopausa classificadas como ASC-US podem representar apenas atrofia. Abati et al.

22

observaram que a maior parte das alterações citológicas classificadas como ASCUS poderia na verdade ser apenas alterações reativas no epitélio atrófico (evidência moderada).

Fakhreldin & Elmasry 23

demonstraram, em estudo retrospectivo, que o uso do teste de detecção do

DNA para HPV por captura híbrida (DNA-HPV) pode predizer dois terços dos casos de ASC-US que podem evoluir para HSIL, porém em mulheres na pós-menopausa mostrou maior sensibilidade, especificidade e

valor preditivo negativo, selecionando assim as mulheres de maior risco para encaminhar para colposcopia

(evidência moderada).

Recomendações

Em mulheres na pós-menopausa ou com atrofia diagnosticada clinicamente, é recomendável o preparo com estrogênio antes da colposcopia, prescrito pelo médico na unidade básica de saúde (vide

Exame citopatológico normal - Resultado indicando atrofia com inflamação) (B), antes de ser submetida à

nova citologia ou colposcopia. O mesmo se aplica quando indicado o seguimento citológico (B).

Imunossuprimidas

Existem evidências de que a infecção por HPV em pacientes infectadas pelo HIV é mais persistente, o que está relacionado à carga viral de HIV mais alta (>400 HIV-1 cópias RNA/mL) ou níveis de CD4+ abaixo

51

Página 55

52

de 350 células/µL, favorecendo uma maior incidência de lesões cervicais mais graves

24

(evidência moderada).

Duerr et al. mostraram, em estudo comparativo, que mulheres infectadas pelo HIV (principalmente aquelas com contagem de células CD4+ <200 células/mm 3 ) e com diagnóstico citopatológico de ASCUS tinham

maior percentual de diagnóstico de lesão intraepitelial, em menor período de tempo (12 meses), quando comparadas às não infectadas 25

(evidência alta). Existe consenso de que mulheres imunossuprimidas têm, em geral, maior probabilidade de apresentarem lesões pré-invasivas, motivando recomendações específicas

de rastreamento 12,26

.

Recomendações

Mulheres imunossuprimidas com esse resultado citológico devem ser encaminhadas para colposcopia já

no primeiro exame alterado (B), seguindo as recomendações para as demais mulheres nessa situação (A). O

seguimento citológico, quando não evidenciada lesão intraepitelial, deve ser semestral, até dois exames negativos

(B). Após esse período, deve seguir a recomendação de rastreamento específico para essas mulheres (B).

Células escamosas atípicas de significado indeterminado, quando não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau

A prevalência desse diagnóstico citológico no Brasil foi de 0,2%, entre todos os exames realizados, e de 8,8%, considerando-se apenas os resultados alterados em 2013

4

.

Estudos revelam frequência de lesão de alto grau entre 12,2% e 68% e de câncer em torno de 1,3% a 3%

27-31

nas mulheres com citologia de ASC-H

(evidência moderada). No único artigo original publicado no Brasil, a frequência de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (NIC II/III) entre usuárias do SUS com esse diagnóstico

6

citolopatológico foi de 19,29%, e nenhum caso de câncer cervical foi identificado

(evidência moderada).

Assim como em ASC-US, também se observa similaridade de conduta frente a uma mulher com

13

ASC-H quando se analisam as recomendações publicadas pela França 11 , Reino Unido 12 , Austrália

, Nova

, Argentina

Zelândia 14

17

, Estados Unidos

15

e Coreia do Sul

16

. As diretrizes desses países recomendam o encaminhamento para a colposcopia, considerando o maior risco de presença de lesões intraepiteliais ou

mesmo invasora em mulheres com diagnóstico citopatológico ASC-H.

Foi identificado um estudo retrospectivo sobre o método 'Ver e Tratar' em um grupo de mulheres com diagnóstico de ASC-H. Os autores não encontraram diferença significativa nas complicações e no

supertratamento de mulheres submetidas a esse método em relação ao tratamento convencional, e a adoção do método reduziu o tempo de espera para o diagnóstico e tratamento definitivo, em especial nos casos de

suspeita colposcópica de HSIL ou mais grave

32 (evidência moderada).

O uso do teste de DNA-HPV poderia contribuir na avaliação das mulheres com colposcopia sem achados anormais ou com achados anormais menores 33 (evidência moderada).

Recomendações

Todas as mulheres com laudo citopatológico de ASC-H devem ser encaminhadas para uma unidade de referência para colposcopia (A). Realizada a colposcopia, deve-se considerar se a JEC é visível. No caso

de colposcopia com visão total da JEC (ou seja, nas ZT tipos 1 ou 2) e achados anormais maiores, deve ser realizada a biópsia (A), mas a excisão tipo 1 ou 2 são aceitáveis (I). Na presença de achados colposcópicos

anormais, sem visão da JEC (ZT tipo 3), deve-se proceder à biópsia e avaliação do canal (conforme Tópicos

Complementares - Avaliação do canal endocervical) e a conduta dependerá desse resultado (B). Caso seja confirmada a presença de NIC II ou mais relevante na biópsia ou material endocervical, seguir recomendação

específica (A). Caso mostre NIC I ou o resultado dessa investigação for negativo, iniciar o seguimento, repetindo a citologia e a colposcopia em seis meses (B).

Página 56

Nos casos em que a JEC não é visível ou parcialmente visível (ZT tipo 3) e a colposcopia não revela achados anormais, também deverá ser investigado o canal (conforme Tópicos Complementares - Avaliação

do canal endocervical) (B). Se o exame desse material mantiver o mesmo resultado ou mais grave, excluída lesão vaginal, é recomendável a excisão tipo 3 para diagnóstico (A). Caso o exame desse material seja

negativo, indicam-se novas citologia e colposcopia em seis meses (B). Se os novos exames, realizados em seis meses após a colposcopia forem negativos, retornar à unidade de atenção básica e repetir a citologia em

seis meses (B). Caso a citologia em seis meses mantenha o mesmo diagnóstico ou mais grave, na ausência de achados colposcópicos anormais, mantida a impossibilidade de visão da JEC e excluída lesão vaginal, é

recomendada a excisão tipo 3 (A). Nesses casos, se a JEC for visível, é recomendável a revisão das lâminas iniciais (B). Caso esse diagnóstico seja mantido ou mais grave, é recomendável a excisão tipo 3 (B). Caso

a revisão não mantenha esse diagnóstico, seguir conduta específica (A). Caso não seja possível a revisão, uma nova citologia deve ser realizada em seis meses (C). Caso a nova citologia mostre um novo resultado

alterado, seguir conduta específica (A).

As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de ASC-H são apresentadas na Figura 2.

Figura 2 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de ASC-H

53

Página 57

54

Situações especiais

Mulheres até 24 anos

34,35

Existem evidências de maior probabilidade de regressão das lesões pré-invasivas nessa faixa etária

(evidência moderada), o que indica a possibilidade de uma conduta mais conservadora. Como mencionado anteriormente, apesar de essa faixa etária não ser prioridade no rastreamento do câncer do colo do útero, as

recomendações que seguem visam a orientar os profissionais sobre como proceder nessa situação.

Recomendações

A conduta inicial, de encaminhamento para colposcopia, não deve ser diferente para essa faixa etária, mas achados normais ou anormais menores na colposcopia podem indicar seguimento citológico com

intervalo de 12 meses (A). Nos casos de achados colposcópicos maiores, a mulher até 24 anos deve ser submetida à biópsia e, se esta for compatível com NIC II/III, deve-se seguir a recomendação específica (A).

Nessas mulheres, a adoção do método 'Ver e Tratar' é inaceitável (D).

Gestantes

36

Onuma et al.

mostraram frequência de 13% de NIC II/III em gestantes com diagnóstico citopatológico de ASC-H e, segundo esses autores, o fato de se ter maior número de células metaplásicas, pela extensa zona

de transformação (ZT) formada na gravidez, poderia mimetizar esse diagnóstico (evidência moderada).

Outras evidências demonstram que o tratamento da lesão pré-invasiva durante a gestação pode ser adiado com segurança até o puerpério 37 (evidência moderada), apontando para a possibilidade de aguardar esse

período para uma conduta invasiva.

Recomendações

A conduta com a gestante com ASC-H deve ser o encaminhamento para a colposcopia e realizar biópsia apenas se houver suspeita de lesão invasiva (A). A paciente deverá ser reavaliada em 90 dias após o

parto na unidade secundária, para confirmação diagnóstica e decisão terapêutica (A).

Imunossuprimidas

A prevalência de lesões pré-invasivas em mulheres imunossuprimidas é mais alta que a observada em mulheres imunocompetentes, principalmente em mulheres infectadas pelo HIV com níveis de CD4

abaixo de 200 células/mm 3

38-40

(evidência moderada). Foi encontrado apenas um artigo publicado que avalia a frequência de lesões intraepiteliais em mulheres infectadas pelo HIV com citologia de ASC-H, que

pode estar sujeito a viés de seleção. Esse estudo mostra 1,9% de laudo citológico de ASC-H num grupo de mulheres acompanhadas na África do Sul, sendo que, destas, 38,5% tinham NIC II e 30,8% apresentaram

41

NIC III. Não houve casos de lesão invasiva

(evidência moderada).

Recomendações

A conduta com a mulher infectada pelo HIV ou com outra forma de imunossupressão não deve ser diferente das demais (B).

Página 58

Mulheres na pós-menopausa

31

Selvaggi demonstrou maior frequência de NIC II/III em mulheres na pré-menopausa que em

mulheres na pós-menopausa (mais de 55 anos: 56%

versus

35%) com citologia de ASC-H, concluindo que, provavelmente, a atrofia da mucosa possa mimetizar essa alteração citológica.

Selvaggi sugere a utilização desse teste nessa faixa etária

31

, porém não existem estudos de custo- efetividade que demonstrem a vantagem do uso do teste do DNA-HPV frente ao seguimento com o exame

citopatológico.

Recomendações

Em pacientes no climatério ou com atrofia diagnosticada clinicamente, é recomendável o preparo com estrogênio antes da colposcopia, prescrito pelo médico na unidade básica de saúde (vide Exame

citopatológico normal - Resultado indicando atrofia com inflamação) (B). O mesmo se aplica quando indicado o seguimento citológico (B).

55

Página 59

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Página 62

Células glandulares atípicas

Células glandulares atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas ou células glandulares atípicas

de significado indeterminado quando não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau

A prevalência desses diagnósticos citológicos no Brasil, em 2013, foi de 0,13%, entre todos os exames realizados, e de 4,7%, considerando-se apenas os resultados alterados

1

. Buscando-se a prevalência desses diagnósticos em outros países, verificou-se que, na Bélgica, células glandulares atípicas de significado

indeterminado (AGC) são diagnosticadas em 0,1% das citologias 2 . Em outras publicações, esses valores oscilam entre 0,08% e 0,81% 3

.

Apesar da baixa prevalência de AGC e da variabilidade dos estudos, esse diagnóstico se torna relevante pela possibilidade de tratar-se de neoplasia intraepitelial escamosa, AIS

,

adenocarcinoma invasor do colo uterino, adenocarcinoma do endométrio e, mais raramente, neoplasia extrauterina, além de outras derivações

mullerianas 4 (evidência moderada). Achados de benignidades, como hiperplasia microglandular, adenose vaginal, pólipos endometriais, endocervicais, quadros inflamatórios, endometriose, efeitos radiógenos,

gestação, uso prolongado de progestágenos, artefatos da própria escovação, metaplasia tubária, uso do DIU

e alterações reativas (após conização, cauterizações ou biópsias) também podem ser responsáveis por essas atipias celulares

5,6

(evidência moderada).

A Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais estabeleceu as categorias diagnósticas de células glandulares atípicas de significado indeterminado possivelmente não neoplásicas e células glandulares atípicas

de significado indeterminado em que não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau. Também definiu que, sempre que possível, deve-se mencionar a provável origem da atipia, seja endocervical, endometrial ou

sem outras especificações (SOE), quando houver dificuldade em especificar o sítio de origem das células atípicas

7

.

Tendo em vista a denominação atipias em células glandulares de significado indeterminado levar à frequente conotação de benignidade, principalmente ao ser comparada às atipias escamosas de significado indeterminado, na

revisão do Sistema Bethesda, em 2001, foi retirada a especificação 'de significado indeterminado' e estabelecido o termo atipias em células glandulares, objetivando assim evitar condutas aquém das requeridas para essa categoria

8,9

e aumentar a sensibilidade para as neoplasias glandulares

. A classificação em possivelmente não neoplásicas ou em que não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau foi estabelecida na elaboração da nomenclatura

7

brasileira para laudos cervicais, em 2006, e deve ser utilizada por extenso

.

Considera-se a categoria atipias em células glandulares de alto risco, pois a ela encontra-se uma associação com NIC II/III ou câncer em 15% a 56% dos casos, sendo as NIC mais comuns em pacientes com

menos de 40 anos e as neoplasias invasivas mais frequentes em pacientes acima dessa idade

10-12

(evidência moderada). Essa grande variabilidade pode ser devida, em parte, à baixa reprodutibilidade desse diagnóstico

11,13,14

citológico com níveis de concordância pobres intraobservadores

(evidência alta).

Prejudica o diagnóstico das lesões glandulares, durante a colposcopia, a dificuldade de acesso ao canal endocervical e a possibilidade de ausência de achados colposcópicos anormais em epitélio glandular, bem

como a possibilidade de existirem lesões multifocais 15 (evidência moderada). Os achados anormais também podem estar presentes na ZT à semelhança do observado na doença escamosa 16,17 (evidência moderada).

59

Página 63

60

Um aspecto clinicamente relevante é que as patologias endometriais, possivelmente encontradas em pacientes com esse diagnóstico citológico, são mais frequentes em mulheres com mais de 35 anos e, naquelas

mais jovens, com sangramento uterino anormal, anovulação crônica e obesidade, o que aponta para a necessidade de investigação endometrial nessas situações

18

(evidência moderada). Células endometriais atípicas devem ser sempre consideradas anormais, independente da idade ou

status menstrual 5

. Schnatz et al. recomendam que, na presença de células endometriais atípicas, o exame do endométrio deve ser feito em

19 (evidência moderada).

primeiro lugar

Doença invasiva ou pré-invasiva, escamosa ou glandular, mostraram associação com a presença de

DNA-HPV oncogênico 20 (evidência alta); porém, a probabilidade de presença de lesão intraepitelial pode chegar a apenas 40% dos casos quando presentes tipos oncogênicos de HPV e a 4% quando um desses tipos

de HPV está ausente 21

(evidência alta).

Recomendações de condutas diferentes para AGC, possivelmente não neoplásicas e para aquelas em que não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau, parecem não se justificar até o momento,

considerando que não há evidência de efetividade em alguma conduta inicial específica.

Recomendações

Pacientes com diagnóstico citológico de AGC devem ser encaminhadas para colposcopia (A). À

colposcopia, deve ser realizada nova coleta de material para citologia com especial atenção para o canal cervical (A). Concomitantemente, é recomendável a avaliação endometrial com ultrassonografia transvaginal

(USTV) em pacientes acima de 35 anos e, caso anormal, estudo anatomopatológico do endométrio (A).

Abaixo dessa idade, a investigação endometrial deverá ser realizada se presente sangramento uterino anormal ou se a citologia sugerir origem endometrial (A). A investigação da cavidade endometrial será prioritária

em relação à investigação da ectocérvice e canal endocervical sempre que mencionada a possível origem endometrial dessas células atípicas (A).

A investigação de doença extrauterina também estará indicada nos casos em que persistir o diagnóstico de AGC e se, ao final da investigação, não tiver sido possível concluir o diagnóstico de doença uterina (canal

endocervical e cavidade endometrial), independentemente da idade da mulher (I).

Durante a colposcopia, se encontradas alterações, quaisquer que sejam, deve ser realizada a biópsia

(A). Caso o exame histopatológico do material dessa biópsia seja compatível com AIS ou câncer, seguir recomendações específicas (vide adiante) (A). No caso de diagnóstico de NIC II/III, deve-se buscar excluir

doença glandular simultânea, considerando o diagnóstico da citologia do material obtido no momento da colposcopia e outros exames solicitados para avaliação do endométrio ou de outros órgãos pélvicos (A).

Na persistência de AGC na citologia, após o fim das investigações no colo e corpo uterinos, além de

órgãos adjacentes, sem evidência de doença, as mulheres devem ser mantidas em seguimento citológico e colposcópico semestral até a exclusão de doença pré-invasiva ou invasiva (I).

Se a nova citologia sugerir doença escamosa ou for negativa, seguir recomendação específica (A). Nos casos biopsiados, considerar o diagnóstico obtido e confrontar com o da nova citologia, definindo a conduta

a seguir em função do resultado mais relevante (A).

Se a citologia do material obtido no mesmo momento da colposcopia for negativa, a mulher deverá

ser seguida com citologia semestral na unidade secundária. Após dois anos com exames semestrais normais, a paciente deve retornar ao rastreamento trienal (B).

Quando indicada a excisão tipo 3, deve-se preferir uma técnica que produza um espécime íntegro e adequado para avaliação histopatológica (A).

As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de AGC são apresentadas na

Figura 3.

Página 64

Figura 3 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de AGC

61

Página 65

62

Situações especiais

Mulheres até 24 anos, na pós-menopausa e imunossuprimidas

Mulheres até 24 anos, na pós-menopausa e imunossuprimidas devem ser investigadas da mesma forma que as demais mulheres (I).

Gestantes

Devem ser investigadas da mesma maneira, exceto pelo estudo endometrial, que não é factível (D). A

biópsia do colo do útero deverá ser realizada apenas na suspeita de doença invasiva (A).

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Referências

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Página 68

Células atípicas de origem indefinida, possivelmente não neoplásicas ou células

atípicas de origem indefinida, quando não se pode afastar lesão de alto grau

A categoria origem indefinida foi introduzida na Nomenclatura Brasileira de Laudos Cervicais destinada

àquelas situações em que não se pode estabelecer com clareza a origem da célula atípica. A permanência dessa categoria na Nomenclatura Brasileira é importante para contemplar os casos que apresentam dificuldade na

c

diferenciação segura entre uma lesão escamosa presente no interior de glândulas e uma lesão glandular

. Além

1

dessas condições, podem estar presentes outras neoplasias, primárias ou metastáticas

.

Essa categoria tem baixa prevalência no Brasil. Segundo dados do Siscolo, foram registrados em

0,43% dos exames alterados e em 0,012% de todos os exames realizados em 2013 2

.

Na investigação de mulheres com diagnóstico de células atípicas de origem indefinida, resultados dos exames citopatológicos subsequentes definindo a natureza das atipias (escamosa ou glandular) devem

direcionar a conduta seguinte. Acredita-se que a grande dificuldade em definir a origem celular ocorre nas lesões adenoescamosas, na presença das células de reserva e nos casos de adenocarcinoma de endométrio,

com representação de células do istmo ou quando a lesão atinge o colo.

Recomendações

Mulheres com o diagnóstico citológico de células atípicas de origem indefinida devem ser encaminhadas para a unidade secundária para investigação (A). É recomendável a avaliação dos demais

órgãos pélvicos com exame de imagem (B), e a avaliação endometrial é recomendada em pacientes acima de 35 anos (A). Abaixo dessa idade, a investigação endometrial deverá ser realizada se presente sangramento

uterino anormal ou se a citologia sugerir origem endometrial (A). Na presença de células endometriais atípicas, a investigação de doença endometrial deve ser priorizada (A).

Na unidade secundária, sempre que possível, deve-se solicitar a revisão da lâmina e ser coletada uma nova amostra para citologia no momento da realização da colposcopia (B). Quando possível, as amostras

devem ser examinadas em conjunto para melhor avaliação (I). Nos casos em que a revisão ou nova citologia definir a origem da alteração, a conduta será de acordo com o novo resultado (B).

Quando na investigação for detectada doença endometrial por USTV ou histeroscopia, esta deverá ser tratada antes de nova coleta de material para citologia (B).

Em caso de colposcopia com JEC visível ou não, com achados sugestivos de lesão intraepitelial ou câncer, realizar biópsia (A). Caso não existam achados colposcópicos anormais ou o diagnóstico histopatológico

da biópsia seja negativo ou compatível com NIC I, uma nova citologia deverá ser obtida em seis meses na unidade secundária e a mulher deverá retornar à unidade básica após duas citologias negativas semestrais

seguidas (B). Se o diagnóstico histopatológico for NIC II ou mais grave, seguir recomendação específica (A).

As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de células atípicas de origem indefinida são apresentadas na Figura 4.

c

A revisão do Sistema Bethesda, realizada em 2014, eliminou essa categoria. Como a Nomenclatura Brasileira para Laudos Citopatológicos ainda a mantém, essa categoria diagnóstica foi mantida nesta versão.

65

Página 69

66

Situações especiais

Mulheres até 24 anos, gestantes e imunossuprimidas

A conduta em caso de mulheres imunossuprimidas ou até 24 anos com citologia de células atípicas de origem indefinida não é diferente das demais.

As gestantes devem ser investigadas da mesma maneira, exceto pelo estudo endometrial, que não é

factível (D). A biópsia do colo do útero nessas mulheres deverá ser realizada apenas na suspeita de doença invasiva (A).

Figura 4 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de células atípicas de origem indefinida

Página 70

Referências

  1. DEMAY, R. M.

The Pap Test:

exfoliative gynecologic cytology. Chicago: ASCP Press, 2005.

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01 out. 2014.

67

Página 71
Página 72

Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau

d

A prevalência de LSIL

foi de 0,8% de todos os exames citopatológicos realizados no Brasil, em 2013.

Considerando-se apenas os exames anormais, a prevalência de LSIL foi de 27,6%, representando o segundo diagnóstico citopatológico mais frequente e demandando investigação ou acompanhamento adicionais,

precedida apenas pela categoria ASC-US 1

.

A LSIL representa a manifestação citológica da infecção causada pelo HPV, altamente prevalente e com potencial de regressão frequente, especialmente em mulheres com menos de 30 anos 2 . Os estudos que

buscam estabelecer o risco de progressão e a probabilidade de regressão de atipias citológicas sofrem de várias limitações, relacionadas ao tamanho amostral e ao teste diagnóstico; pois, se baseado na citologia,

têm limitações de acurácia e, se baseado em biópsia, esta pode mudar a história natural da doença. Uma metanálise de estudos publicados após 1970 estimou que 47,4% das LSIL regridem após 24 meses; mas, mais

3

importante, apenas 0,2% das mulheres com esse diagnóstico citológico evoluem para o carcinoma invasor

(evidência alta).

A reprodutibilidade interobservadores do diagnóstico citopatológico de LSIL é considerada moderada

(

kappa

0,46, IC 95%: 0,44-0,48)

4

(evidência alta), o que pode justificar a existência de lesões mais graves entre mulheres com diagnóstico de LSIL. A prevalência de lesões pré-invasivas (NIC II/III) ou câncer relatada na

literatura após exame citopatológico compatível com LSIL é de 21,3% (IC 95%: 17,7%-24,9%) 5 (evidência alta), o que aponta para a possibilidade de subdiagnóstico do exame citopatológico. De fato, novos exames

citopatológicos realizados durante o recrutamento do ASCUS-LSIL

Triage Study

(ALTS) em mulheres com diagnóstico de ASCUS e LSIL que apresentaram NIC III no seguimento demonstraram que a maioria dessas

lesões já existia previamente e não correspondiam à evolução de lesões menos graves

6

(evidência alta).

Estudos transversais realizados no Brasil mostraram prevalência de NIC II ou lesões mais graves após exame

(evidência baixa a moderada).

citopatológico compatível com LSIL, entre 7,2% e 21,6% 7-9

As recomendações preconizadas internacionalmente para a conduta inicial de pacientes com diagnóstico citopatológico de LSIL variam entre o encaminhamento imediato para a colposcopia, a

repetição da citologia em intervalos variáveis, com encaminhamento para colposcopia, caso o resultado subsequente mantenha LSIL ou apresente outras atipias, e a realização do teste de detecção de DNA-HPV,

com encaminhamento para colposcopia caso o resultado seja positivo 10-22

.

O encaminhamento imediato para colposcopia como conduta inicial de pacientes com diagnóstico citológico de LSIL é apoiado no argumento de que há, nesses casos, a possibilidade da presença de lesões

mais graves. Contudo, essa conduta desconsidera a história natural da infecção pelo HPV, que embasa o adiamento da investigação, evitando o sobrediagnóstico ou sobretratamento induzido pela abordagem de

lesões que tendem à regressão espontânea.

O comportamento benigno desse grau de alteração associado ao risco de ocorrência de efeitos adversos psíquicos

22-24

(evidência moderada) e físicos, como hemorragia, infecção e desfechos obstétricos

25,26

significativos

(evidência alta), relacionados a procedimentos diagnósticos e terapêuticos, tem levado a recomendações mais conservadoras.

d

Do inglês

Low-grade Squamous Intraepithelial Lesion

. Também é utilizada a sigla LIEBG.

69

Página 73

70

Contudo, evidências obtidas em um grande ensaio clínico, conduzido nos Estados Unidos, sobre a melhor conduta em mulheres com diagnóstico citopatológico de LSIL ou ASCUS sugerem que tanto o

encaminhamento imediato para colposcopia como o seguimento citológico são condutas aceitáveis nessa situação

27

(evidência alta).

Em mulheres com LSIL e teste de DNA-HPV positivo para tipos oncogênicos, o risco em cinco anos para detecção de NIC II ou lesões mais graves e NIC III ou lesões mais graves é significativamente maior

do que em mulheres com LSIL e DNA-HPV negativo 28 (evidência alta). Porém, a aplicação de testes de detecção de DNA-HPV para a triagem de mulheres com LSIL para a colposcopia apresenta sensibilidade

significativamente maior, mas especificidade significativamente menor, em comparação à citologia de

29

repetição

(evidência alta). A baixa especificidade dos testes de DNA-HPV é decorrente de sua alta positividade em mulheres com LSIL (76,9%) 5 (evidência alta), o que determinaria o encaminhamento da

maioria das mulheres para colposcopia, comprometendo a efetividade dessa estratégia.

Entretanto, a positividade dos testes de DNA-HPV é dependente da prevalência da infecção pelo HPV, que por sua vez é dependente da idade. Estudos mais recentes demonstraram que vários testes de detecção de

HPV apresentam especificidade crescente com o aumento da idade, além de alta sensibilidade, para detecção de NIC II ou lesões mais graves em mulheres com LSIL 30,31

(evidência alta). Assim, as evidências científicas atuais sugerem que os testes de detecção de DNA-HPV podem ser úteis para a triagem de mulheres com

LSIL com mais idade, contudo, em decorrência da falta de dados estratificados por idade, não é possível

32

atualmente definir com segurança um ponto de corte em função dessa característica

.

Dados de ensaio clínico randomizado realizado no Reino Unido demonstraram que, em mulheres com diagnóstico citopatológico de LSIL ou ASCUS submetidas à colposcopia, a realização de biópsias

dirigidas oferece o melhor equilíbrio entre benefícios e danos, com encaminhamento para tratamento as mulheres com diagnóstico de NIC II/III e para controle citológico aquelas com diagnóstico de NIC I. O

tratamento imediato por meio de exérese da zona de transformação (EZT) resultou em sobretratamento

(60% de diagnóstico de NIC I ou ausência de NIC) e mais efeitos adversos, não devendo ser recomendado

33

(evidência alta).

O diagnóstico histopatológico de NIC I representa a manifestação histológica da infecção causada pelo HPV. No entanto, as implicações clínicas desse diagnóstico não são bem compreendidas, pois há poucos

estudos prospectivos investigando o risco subsequente de lesões pré-invasivas (NIC II/III) ou câncer. Dados do estudo ALTS apontaram, após diagnóstico histopatológico de NIC I, incidência cumulativa em dois anos

de NIC III de 10,3% (IC 95%: 7,9%-13,0%) 34 (evidência alta). Outro estudo encontrou 12% de NIC II ou

35

lesões mais graves em mulheres com NIC I seguidas por três anos

(evidência alta).

Um ensaio clínico envolvendo mulheres brasileiras e canadenses demonstrou que o seguimento citopatológico e colposcópico de mulheres com NIC I comprovada por biópsia por 18 meses não era

clinicamente inferior ao tratamento excisional na detecção de NIC II/III ou mais grave

36

(evidência alta).

Quando indicado, o tratamento da NIC I pode ser ablativo ou excisional, pois foi demonstrado que ambos os métodos são eficazes para o tratamento de NIC 37

(evidência alta). Não foram encontradas na literatura evidências da melhor forma de seguimento após tratamento de NIC I.

Recomendações

Mulheres com diagnóstico citopatológico de LSIL devem repetir o exame citopatológico em seis meses na unidade de atenção básica (A). Processos infecciosos ou atrofia genital identificados devem ser

tratados antes da nova coleta (A). Se a citologia de repetição for negativa em dois exames consecutivos, a paciente deve retornar à rotina de rastreamento citológico trienal na unidade de atenção básica (A). Se uma

das citologias subsequentes no período de um ano for positiva, encaminhar à unidade de referência para colposcopia (A).

Página 74

À colposcopia, se presentes achados anormais no colo do útero, deve-se realizar a biópsia (A). Presente

NIC II/III ou câncer, deve-se seguir conduta específica (A). Caso presente NIC I, a paciente deverá ser mantida em seguimento citológico (A). Quando presentes achados anormais menores, a biópsia poderá ser dispensada,

considerando-se outros fatores como idade menor do que 30 anos, rastreamento prévio negativo e ausência de história de doença cervical pré-invasiva (NIC II/III) (B). As pacientes não submetidas à biópsia devem ser

seguidas com citologia em 12 meses até dois exames seguidos negativos (B), seguindo-se conduta específica a partir dos resultados subsequentes (A). Considerando-se a alta possibilidade de sobretratamento e efeitos

adversos, o método 'Ver e Tratar' é inaceitável nas mulheres com citologia de LSIL (D).

Na ausência de achados colposcópicos anormais no colo e na vagina, é recomendado repetir a citologia (A). A nova citologia deverá ser realizada a cada seis meses em mulheres com mais de 30 anos

ou anualmente, nas mulheres até 30 anos (A). Caso o exame citopatológico seja negativo em dois exames seguidos, a mulher deve retornar à rotina de rastreamento citológico trienal (A). Mantido o diagnóstico

citopatológico de LSIL, a mulher deverá ser mantida em seguimento citológico até que os exames retornem

à normalidade (A). Caso, nesse seguimento, seja obtido um diagnóstico mais relevante (ASC-H, HSIL, AGC

ou câncer), a conduta deverá ser definida em função do novo resultado (A). Na persistência de LSIL por 24

meses, a mulher deve ser reencaminhada para colposcopia (B).

Na persistência de NIC I por 24 meses, a manutenção do seguimento ou o tratamento são aceitáveis, sendo recomendada a individualização considerando a idade, paridade e preferências da paciente (C). Se a

opção for pelo tratamento, nos casos de JEC visível e a menos de um centímetro no canal (ZT tipo 1 ou 2), pode-se optar por métodos destrutivos (eletrocauterização, criocauterização ou laserterapia) ou excisão tipo

1 ou 2 (A). Quando a decisão for tratar e a ZT for tipo 2 (com JEC além do primeiro centímetro do canal)

ou 3, a indicação de um procedimento excisional (excisão tipos 2 ou 3) deve ser criteriosamente avaliada frente ao risco obstétrico (B).

As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de LSIL são apresentadas na

Figura 5.

71

Página 75

Figura 5 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com 25 anos ou mais e diagnóstico citopatológico de LSIL

72

Página 76

Situações especiais

Mulheres até 24 anos

Nessa faixa etária, existem evidências de maior incidência, maior probabilidade de regressão de LSIL

.

e raridade de lesões invasivas, o que vem norteando recomendações de conduta mais conservadora 20,22,38

Nesse grupo de pacientes, foi observada regressão de LSIL em 60% dos casos num período de 12 meses e de até 92% em três anos 38

(evidência alta). Tal fato, aliado a possíveis danos decorrentes da investigação e tratamento de lesões intraepiteliais, demonstra que a conduta deve ser expectante e menos invasiva.

A alta prevalência de infecção pelo HPV em adolescentes exclui a utilização de testes de detecção de

DNA-HPV na prática assistencial. Cerca de 90% das infecções por HPV na adolescência são transitórias, e o HPV não é mais detectado em até dois anos 38,39

(evidência alta). Recomendações internacionais têm sido modificadas no sentido de evitar tratamentos desnecessários

20,22

.

Apesar de as mulheres até essa idade não fazerem parte da faixa etária para o rastreamento do câncer do colo do útero, as recomendações a seguir pretendem orientar os profissionais a como lidar com essa

situação.

Recomendações

Mulheres até 24 anos, caso tenham sido submetidas ao exame citopatológico e apresentem alterações citológicas compatíveis com LSIL, devem repetir a citologia em três anos (I). Caso se mantenha essa atipia,

deverão manter seguimento citológico trienal (I). No caso de novo exame normal, reiniciar rastreamento aos 25 anos (B). A qualquer momento, caso apresentem citologia com alterações mais graves, deverão ser

encaminhadas para colposcopia (A).

Frente ao diagnóstico histológico de NIC I, o tratamento deve ser evitado e mantido o seguimento citológico trienal até que completem os 25 anos (A). A partir dessa idade, devem ser conduzidas como as

demais mulheres (A). Métodos excisionais não estão indicados antes dos 25 anos (D).

As condutas recomendadas para as pacientes até 24 anos com laudo citopatológico de LSIL são apresentadas na Figura 6.

73

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Figura 6 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres até 24 anos com diagnóstico citopatológico de LSIL

Gestantes

As alterações fisiológicas que ocorrem durante a gestação podem dificultar a interpretação dos achados, requerendo maior experiência por parte dos colposcopistas. Os achados colposcópicos anormais durante a

gestação tendem a ser classificados como maiores e a presença de deciduose pode levar a sobrediagnóstico e sobretratamento 15,40,41

(evidência alta). Considerando suas limitações durante a gestação, especialistas na

área recomendam que colposcopia não deva ser realizada durante a gestação de mulher com LSIL 21,39,42

.

Recomendações

Qualquer abordagem diagnóstica deve ser feita após três meses do parto (A).

Página 78

Mulheres na pós-menopausa

Essas mulheres, em razão da deficiência de estrogênio, apresentam alterações celulares no colo uterino e vagina, podendo acarretar resultados falso-positivos da citologia. A terapia por meio de estrogênio tópico

melhora a qualidade desse exame 39

(evidência alta).

Recomendações

Mulheres na pós-menopausa com diagnóstico citopatológico de LSIL devem ser conduzidas como as demais mulheres, mas a segunda coleta deve ser precedida de tratamento da colpite atrófica, quando

presente (B) (vide Exame citopatológico normal - Resultado indicando atrofia com inflamação).

Imunossuprimidas

As evidências de maior prevalência de lesões precursoras e câncer nessas mulheres têm levado a recomendações de que, diante de qualquer anormalidade citológica, mulheres imunossuprimidas devem

.

ser encaminhadas imediatamente para colposcopia 12-14,16-18,22,43

Recomendações

Mulheres imunossuprimidas, como as infectadas pelo HIV, em situação de imunocomprometimento ou em uso de imunossupressores, devem ser encaminhadas para colposcopia após o primeiro exame

citopatológico mostrando LSIL (A).

Quando indicado o tratamento, deve ser excisional (A). O seguimento pós-tratamento deve ser citológico anual (A) e poderá incluir e colposcopia a critério do serviço (I).

75

Página 79

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Obstetrics

Página 82

Lesão intraepitelial escamosa de alto grau

A prevalência desse diagnóstico citopatológico no Brasil foi de 0,26% de todos os exames realizados e de 9,1% de todos os exames alterados em 2013

1

. Cerca de 70% a 75% das mulheres com laudo citopatológico de HSIL apresentam confirmação histopatológica desse grau de doença e em 1% a 2%, de carcinoma

invasor 2-4

(evidência moderada). Dados da literatura evidenciam a necessidade de tratamento das lesões pré-invasivas para impedir sua progressão para o câncer 5

(evidência alta). Os métodos de escolha para a abordagem dessas lesões têm sido os excisionais; pois, além de permitirem diagnosticar os casos de invasão

6-8

não detectados pela citologia ou pela colposcopia, servem de tratamento quando a lesão é intraepitelial

.

No Brasil, o tratamento excisional ambulatorial é chamado de exérese da zona de transformação

  • EZT, (em inglês LLETZ -

Large loop excision of the transformation zone ou LEEP -

Loop electrosurgical excision procedure

), realizado sob visão colposcópica e anestesia local. Está indicado para doença ectocervical

9

ou quando a JEC não ultrapassa o primeiro centímetro do canal endocervical

.

A partir da nova Nomenclatura Colposcópica da

International Federation of Colposcopy and Cervical

Pathology

(IFCPC) - Rio de Janeiro 2011

10

, os procedimentos excisionais passaram a ser denominados excisões dos tipos 1, 2 ou 3, na dependência da profundidade de tecido que é determinada pelo tipo de ZT,

tipos 1, 2 ou 3, conforme descrito em Tópicos Complementares - Tipos de excisão.

A prática considerada mais efetiva é conhecida como 'Ver e Tratar' . Nesse caso, o tratamento é

ambulatorial e pode ser feito na primeira consulta. Isso reduz o tempo entre a captação e o tratamento dessas mulheres, podendo garantir menos perdas no seguimento 11,12 (evidência moderada). Esse método

foi considerado viável e com boa aceitabilidade, quando comparado à conduta com biópsia prévia

6,13,14

(evidências moderadas).

Uma preocupação com a adoção desse método é o sobretratamento. Quando realizada em mulheres com diagnóstico citológico de HSIL, colposcopia adequada evidenciando achados anormais maiores, JEC

visível e no máximo até o primeiro centímetro do canal endocervical (ZT tipo 1 ou 2), lesão restrita ao colo e ausência de suspeita de invasão ou doença glandular

6

têm reduzido o risco de histologia negativa

7

.

Respeitando esses critérios, Monteiro et al., em um estudo brasileiro, obtiveram percentual de diagnósticos negativos muito baixos (2%) e de NIC I em menos de 10% 12 (evidência moderada). Da mesma forma,

Bosgraaf et al., em grande estudo na Holanda, encontraram 4,5% de NIC I ou histologia negativa em 1.677

mulheres entre 1980 e 2010 14

(evidência alta).

Usando esses mesmos critérios de seleção de mulheres para o 'Ver e Tratar' , Sadan et al. obtiveram diagnósticos histopatológicos negativos de 8% e de NIC I em 20% dos casos

11 (evidência moderada). Outro estudo brasileiro menciona percentuais de histologia negativa ou com NIC I em torno de 20%, mas esse

percentual desconsidera os achados colposcópicos

15 (evidência moderada).

Essa discrepância de proporção de histologias negativas quando se utiliza o 'Ver e Tratar' está coerente com a variabilidade de desempenho da citologia e da colposcopia, exames reconhecidamente dependentes

do examinador. Assim, onde a citologia tem bom desempenho e a colposcopia é realizada por profissional experiente, tem-se baixa probabilidade de histologia negativa. Onde isso não está garantido, pode-se ter um

percentual inaceitável de histologias negativas.

Outra questão refere-se ao risco de lesão intraepitelial cervical de alto grau entre mulheres com colposcopia sem achados anormais e JEC não visível ou parcialmente visível (ZT tipo 3). Nessa situação,

79

Página 83

80

a lesão pode estar no canal endocervical ou na vagina, mas também pode representar um resultado falso- positivo. Massad et al.

16

realizaram estudo com 169 mulheres submetidas à conização eletrocirúrgica e encontraram 5 (3%) com diagnóstico histopatológico de câncer, 72 (43%) de NIC II/III e 73 (43,5%) de

NIC I. Em 19 (11,5%) mulheres, não foi evidenciada doença (evidência moderada).

Em um estudo no Rio de Janeiro, com mulheres nessa mesma situação, os autores encontraram 33,8%

NIC II/III e 4,6% de câncer. Os demais casos apresentaram NIC I (26,1%), displasia glandular (1,5%) e ausência de doença (33,8%), denotando sobretratamento 17 (evidência moderada).

Recomendações

As mulheres que apresentarem laudo citopatológico de HSIL deverão ser encaminhadas à unidade de referência para realização de colposcopia (A). A repetição da citologia é inaceitável como conduta inicial

(D). Quando a colposcopia mostrar-se inadequada devido a processos inflamatórios ou qualquer outra situação que inviabilize a sua realização, esta deverá ser realizada assim que possível (A).

Na presença de achados anormais maiores, JEC visível (ZT tipos 1 ou 2), lesão restrita ao colo e ausente suspeita de invasão ou doença glandular, deverá ser realizado o 'Ver e Tratar' , ou seja, a excisão tipo

1 ou 2, de acordo com o tipo da ZT (conforme Tópicos Complementares - Tipos de excisão) (A). Em locais em que não esteja garantida a qualidade da citologia ou quando o colposcopista não se sentir seguro quanto

à relevância dos achados, a biópsia é aceitável (B).

Quando a abordagem 'Ver e Tratar' não for possível devido a processo inflamatório ou outras contraindicações temporárias, esta deverá ser realizada logo após a sua correção (A). Nos casos em que esse

método estiver indicado, a biópsia de colo não é recomendada (D).

Na colposcopia com JEC não visível ou parcialmente visível (ZT tipo 3) e achados anormais maiores, deverá ser realizada excisão tipo 3 (A). Em mulheres jovens, todos os esforços para tentar expor a JEC devem

ser empreendidos (A) (vide Tópicos Complementares - Tornando a JEC visível).

Na colposcopia com JEC visível e achados anormais menores, realizar biópsia (A). Quando o resultado da biópsia for compatível com NIC II/III, realizar excisão tipo 1 ou 2 conforme o tipo de ZT (A). Se a

biópsia for negativa ou apresentar diagnóstico de NIC I, deve-se repetir a citologia e a colposcopia em seis meses a contar do dia da realização da biópsia (B) e adotar conduta específica de acordo com o novo laudo

citopatológico (A).

Na colposcopia com JEC não visível ou parcialmente visível e achados anormais menores, a biópsia será opcional (I) e o canal deverá ser investigado (A) (conforme Tópicos Complementares - Avaliação

do canal endocervical). A ausência de lesão vaginal deve ser assegurada (A). Caso a avaliação do canal endocervical mantenha a suspeita de lesão pré-invasiva ou invasiva realizar excisão tipo 3 (A). Caso negativo

ou LSIL/NIC I, repetir a citologia e colposcopia em seis meses (B).

Na colposcopia com achados sugestivos de invasão, realizar biópsia (A). Caso o diagnóstico histopatológico seja de doença invasiva ou microinvasiva, a paciente deverá ser conduzida conforme

recomendação específica (vide capítulo Carcinoma epidermoide invasor) (A). Caso a biópsia apresente resultado diferente, realizar excisão conforme o tipo de ZT (A).

À colposcopia sem achados colposcópicos anormais, independente da visão da JEC, a ausência de lesão vaginal deve ser assegurada (A). Se possível, solicitar revisão de lâmina, de preferência por outro

profissional (B).

Nos casos em que a revisão de lâmina for possível, o seu resultado deverá substituir o resultado anterior (A).

Mantido o diagnóstico de HSIL, sem achados anormais, se a JEC não for visível ou parcialmente visível (ZT tipo 3), deve-se investigar o canal (conforme Tópicos Complementares - Avaliação do canal

Página 84

endocervical) (A). Caso a avaliação do canal endocervical mantenha a suspeita de lesão pré-invasiva ou invasiva realizar excisão tipo 3 (A). Se o resultado dessa investigação for negativo ou LSIL/NIC I, repetir a

citologia e colposcopia em seis meses (B). Caso a JEC seja visível uma nova citologia deverá ser realizada em seis meses (B).

Ainda nos casos sem achados anormais, se a citologia realizada em seis meses apresentar o mesmo resultado (HSIL), assegurada inexistência de lesão vaginal, deve-se realizar procedimento excisional de

acordo com o tipo de ZT (A). Caso o resultado da citologia de seis meses seja negativo (normal) deve-se manter controle citológico semestral na unidade secundária (A). Após dois exames negativos, a mulher

poderá retornar ao rastreamento trienal (A). A colposcopia poderá ser adicionada durante esse seguimento para rever a impressão inicial (I). A informação de que se trata de uma amostra para seguimento de citologia

anterior positiva deve ser registrada nos pedidos de exame (A).

Um resumo dessas recomendações encontra-se na Figura 7.

Figura 7 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com 25 anos ou mais e diagnóstico citopatológico de HSIL

81

Página 85

82

Seguimento pós-tratamento de NIC II/III

Várias evidências demonstram um pequeno risco de recorrência de lesões pré-invasivas do colo do

18-20

útero ou de carcinoma invasor, após tratamento conservador de NIC II/III

(evidências moderadas e alta).

Esse risco tende a diminuir com o passar dos anos, mas o risco de câncer é progressivo nessas mulheres e

20

presente por décadas. Essa discrepância sugere pobre adesão ao seguimento após tratamento

(evidência alta).

O principal fator de risco para doença residual ou recorrente tem sido o relato de margens comprometidas no espécime resultante de tratamentos excisionais. Apesar de o relato de margens

comprometidas por NIC II/III aumentar o risco de lesão residual ou recorrente, a maioria das mulheres nessa situação não terá lesão residual podendo, dessa forma, ser assumida uma conduta conversadora, não

(evidências moderada e alta). Nos havendo necessidade de novo tratamento na grande maioria dos casos 21-23

casos em que é detectada lesão residual, na maioria das vezes, o diagnóstico é feito nos dois primeiros anos

(evidências moderada e alta).

de seguimento 20,22,23

Outros fatores se mostram relacionados à recorrência, tais como idade acima de 50 anos, grau de doença tratada, persistência de HPV oncogênico, tabagismo, multiparidade, imunocomprometimento e

existência de lesões fora da ZT

24-27

(evidências moderadas).

Os vários protocolos desenhados para o seguimento de pacientes tratadas por NIC II/III parecem ser arbitrários, estando menos baseados no desempenho diagnóstico de cada método do que no hábito do médico

ou no custo de cada um deles. Mergui et al. afirmam que o seguimento dessas mulheres poderá ser realizado

. Esse teste tem demonstrado maior sensibilidade com a citologia, colposcopia ou com o teste de DNA-HPV 28

29

do que a citologia no diagnóstico de lesão residual ou recorrente

(evidência moderada). Todavia, a citologia

30

tem demonstrado valor preditivo negativo muito próximo daquele obtido pelo teste de DNA-HPV

(evidência moderada). Isso significa que, quando um ou outro teste é negativo, uma nova lesão é muito improvável. Um

pequeno ensaio clínico comparando o desempenho diagnóstico da citologia ou combinação de citologia e teste de DNA-HPV oncogênico no diagnóstico de lesões residuais ou recorrentes encontrou diferenças significativas

31

apenas na especificidade, maior na estratégia combinada

(evidência moderada).

Entretanto, Arbyn et al. realizaram uma revisão sistemática e meta-análise que incluiu 15 estudos sobre o uso do teste do HPV. Verificaram que a taxa de doença residual e de recorrência em até dois anos

após tratamento de lesão de alto grau variou de 4%-18%, com média de 8%. Esse risco é maior nas mulheres acima de 50 anos, o que é consistente com a observação de que a persistência da infecção viral aumenta com

a idade

32

(evidência alta). Estudos de seguimento de longo prazo indicam que as mulheres tratadas para NIC

II/III estão sob maior risco de desenvolverem câncer cervical subsequente em comparação com a população

20

geral, durante pelo menos 10 anos e talvez até 20 anos após o tratamento

(evidência alta).

O acompanhamento ideal para detecção de doença residual ou recorrente parece ser a citologia associada à colposcopia. Apesar de o seguimento realizado apenas com o exame citopatológico determinar

que um menor número de mulheres seja encaminhado para a colposcopia, apontando para melhor relação custo-benefício, a conduta inicial com o exame colposcópico pode aumentar a identificação da doença,

26,33,34

reduzindo a taxa de falsos-negativos da citologia

(evidências moderadas).

Um estudo brasileiro verificou que 74,75% das pacientes submetidas a tratamento excisional para lesão de alto grau apresentaram teste negativo para DNA-HPV seis meses após o procedimento 35

(evidência moderada).

Recomendações

Nos casos em que o exame histopatológico da peça cirúrgica mostrar margens livres de doença ou comprometidas por NIC I, a mulher deverá ser submetida à citologia seis e 12 meses após o

Página 86

procedimento (A). A colposcopia poderá ser realizada a critério do serviço (I). Após o primeiro ano, o seguimento deverá ser realizado com citologia anual até completar cinco anos do tratamento na

unidade básica de saúde (I).

Nos casos em que o exame histopatológico da peça cirúrgica mostrar qualquer uma das margens comprometidas por NIC II/III, o seguimento deverá ser feito com exame citopatológico e colposcopia

semestrais nos primeiros dois anos (A). Após os dois primeiros anos, o seguimento deverá ser feito com a citologia anual até completar cinco anos do tratamento, na unidade básica de saúde (I).

Em ambos os casos, após os primeiros cinco anos do tratamento a mulher deverá retornar para o rastreamento citopatológico trienal (B). A história de doença intraepitelial tratada deverá ser informada

no pedido do exame citopatológico (B). Um novo procedimento excisional estará indicado quando houver comprometimento das margens cirúrgicas por NIC II/III, seja ecto- ou endocervical, e não for possível o

seguimento por questões técnicas ou da mulher (A).

Na evidência de lesão residual ou recorrente, a mulher deverá ser conduzida da mesma forma quando da lesão inicial (A).

Situações especiais

Mulheres até 24 anos

Essa população apresenta elevada prevalência de infecção pelo HPV, no entanto, mostra baixa incidência de HSIL e de carcinoma invasor.

Estudos mostram que a história natural da NIC II nessa população está muito próxima daquela da

NIC I. Em 12 meses de seguimento de NIC II em adolescentes e mulheres jovens, é observada probabilidade de regressão em torno de 60% em alguns estudos, mas pode chegar até 75% em 3 anos de seguimento 29,36,37

(evidência moderada).

A regressão de NIC III também tem sido observada em adolescentes ou mulheres jovens e tem motivado recomendações mais conservadoras 38 . Entre elas, tem sido sugerida a possibilidade de tratamentos

destrutivos. Estes têm mostrado a mesma eficácia que os excisionais, desde que seja atingida a base de glândulas. Isso inclui a eletrocauterização, a crioterapia e a destruição a

laser

39

(evidência alta), porém estas têm a desvantagem de não fornecer informação quanto ao tratamento da totalidade da lesão ou existência

, o que é muito raro nessa faixa de microinvasão ou invasão não suspeitada ou diagnosticada por biópsia 40

etária. Tratamentos destrutivos têm sido recomendados quando não há suspeita de lesão invasiva ou glandular, a lesão é completamente visível e não se estende ao canal

8

.

Mulheres até essa idade não estão incluídas na faixa etária alvo do rastreamento do câncer de colo do

útero, mas é importante orientar os profissionais quanto às condutas adequadas nessa situação, para reduzir a probabilidade de malefícios decorrentes de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários,

principalmente relacionados à função reprodutiva

41,42

.

Recomendações

Na vigência de exame citopatológico com diagnóstico de HSIL, encaminhar para colposcopia (A). A

repetição da citologia é inaceitável como conduta inicial (D). O método 'Ver e Tratar' também é inaceitável nessas mulheres (D).

Se o achado colposcópico for menor, a paciente deverá ser mantida em seguimento anual citológico por dois anos (I).

83

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84

Na presença de achado colposcópico maior, realizar biópsia (A). Se a biópsia revelar NIC II, dar preferência à conduta expectante por 24 meses, porém o tratamento também é aceitável caso não possa ser

assegurado esse seguimento (B). O seguimento deverá ser feito com exame citopatológico e colposcopia semestrais nos primeiros dois anos (B). Após esse período, se houver persistência da lesão, optar pelo

tratamento, que poderá ser de forma excisional ou destrutiva (B). O tratamento destrutivo somente poderá ser realizado, nesses casos, se a lesão é restrita à ectocérvice e JEC visível (ZT tipo 1) (A). Se houver

regressão da lesão, a mulher deverá ser mantida em seguimento citológico com intervalo de 12 meses até que apresente dois exames consecutivos negativos e, a seguir, trienal na unidade básica de saúde (I). Se durante

o seguimento o exame citopatológico mostrar-se alterado, a conduta deverá ser definida segundo o novo resultado (B). Se a biópsia for negativa ou NIC I, deve-se repetir o exame citopatológico em seis meses (B) e

adotar conduta específica de acordo com o novo laudo (B).

Se a biópsia revelar NIC III, o seguimento citológico e colposcópico semestral por dois anos é

recomendado nas mulheres até 20 anos (B). Nas demais, entre 21 e 24 anos, é recomendado tratamento excisional (EZT) ou destrutivo (B), mas o seguimento citológico e colposcópico semestral por dois anos ou

até completar 25 anos também é aceitável (B).

Nos casos em que a colposcopia mostrar achados colposcópicos sugestivos de invasão, a mulher deverá ser biopsiada (A) e, se o exame histopatológico não confirmar esse diagnóstico, a mulher deverá ser

reavaliada para excluí-lo (A).

Na ausência de achado colposcópico anormal, o que inclui minucioso exame da vagina, uma nova citologia deverá ser realizada em seis meses (A). Se o resultado da nova citologia mantiver HSIL, deve-se

manter controle citopatológico e colposcópico semestrais até dois exames negativos. Após esse período, manter seguimento citológico trienal na unidade básica de saúde (B). Se durante o seguimento o exame

colposcópico ou citopatológico mostrar-se alterado, diferente de HSIL, a conduta deverá ser definida segundo o novo resultado (B). Nos casos de persistência, é considerado aceitável manter o seguimento

ou o tratamento excisional (I). Caso o resultado da nova citologia seja negativo (normal), deve-se manter controle citopatológico e colposcópico semestrais por um ano (B). Caso mantenha-se negativo, retornar

ao rastreamento aos 25 anos (A). Após esse período, estando os exames normais, retornar ao rastreamento citológico trienal na unidade básica de saúde (B).

Nos casos sem achados anormais em que for possível a revisão de lâmina, o novo resultado deverá ser considerado e definirá a conduta a ser seguida (A).

Um resumo dessas recomendações encontra-se na Figura 8.

Página 88

Figura 8 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres até 24 anos com diagnóstico citopatológico de HSIL

Gestantes

A colposcopia pode ser realizada em qualquer época da gestação. A biópsia pode ser realizada com segurança, não havendo risco de eventos adversos sobre a gestação, existindo apenas maior probabilidade

de sangramento 43 (evidência moderada). As lesões de alto grau detectadas na gestação possuem mínimo

(evidência moderada).

risco de progressão para invasão e algum potencial de regressão após o parto 44,45

Por essa razão a reavaliação colposcópica e citológica durante a gravidez poderá desencadear intervenções desnecessárias

46,47

.

Segundo Prendiville 7 , os procedimentos excisionais, quando realizados nesse período, aumentam o risco de abortamento, parto prematuro e frequentemente apresentam complicações como sangramento

excessivo.

Recomendações

Na vigência de exame citopatológico mostrando HSIL, encaminhar a gestante para unidade de referência em colposcopia (A). Realizar biópsia, caso a colposcopia apresente achados sugestivos de invasão

(A). Se o resultado histopatológico revelar invasão, encaminhar a mulher para tratamento na unidade terciária (A). Caso o resultado evidencie NIC II/III, a mulher deverá ser reavaliada 90 dias após o parto (A).

85

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86

Caso a biópsia revele NIC I ou for negativa, deve seguir recomendação específica (B). Caso não tenha sido realizada biópsia, deve-se realizar uma nova citologia em 90 dias após o parto (B). Não há contraindicação

ao parto vaginal para essas gestantes (A).

Mulheres na pós-menopausa

O exame citopatológico pode ter pior desempenho diagnóstico nesse grupo de mulheres devido à

atrofia, o que resulta em diminuição do número de células ectocervicais e endocervicais disponíveis para a amostragem.

Recomendações

A conduta para pacientes na menopausa é a mesma para as demais mulheres (A). Com o objetivo de melhorar tanto o exame colposcópico quanto o novo exame citopatológico, deve-se administrar previamente

estrogênio tópico conforme descrito em Exame citopatológico normal - Resultado indicando atrofia com inflamação (B).

Imunossuprimidas

Mulheres imunossuprimidas, especialmente as infectadas pelo HIV, têm maior chance de desenvolver lesão intraepitelial escamosa cervical e de apresentar maior frequência de recidiva após o tratamento

48

(evidência moderada). Em estudo de coorte realizado por Fruchter et al. 49 comparando mulheres HIV- positivas e negativas tratadas por HSIL, foi observada maior frequência de recorrência em 36 meses após

o tratamento, naquelas infectadas pelo HIV (evidência moderada). O mesmo achado foi encontrado em mulheres brasileiras, apesar de a maioria estar em uso de terapia antirretroviral potente

50

(evidência moderada).

Recomendações

A conduta inicial para pacientes imunossuprimidas com exame citopatológico de HSIL é o encaminhamento para colposcopia, e a investigação deverá ser a mesma já descrito para as mulheres

imunocompetentes (A). Todavia, como esse grupo tem maior risco de recidiva, a continuação do seguimento citopatológico após tratamento de NIC II/III deverá ser anual durante toda a vida (B).

Nessas mulheres, considerando limitações dos tratamentos destrutivos e maior risco de recorrência, quando necessário tratamento deve-se preferir o excisional (I).

Histerectomizadas

Mulheres submetidas à histerectomia com história de tratamento prévio para NIC II/III apresentam risco de desenvolver neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) em 1% a 4% dos casos e de câncer de vagina em

0,6% 51,52

(evidência moderada).

Recomendações

Mulheres com história de tratamento prévio de NIC II/III com margens livres deverão ser submetidas a exame citopatológico em seis e 12 meses após a histerectomia (B). Se ambos os exames forem negativos, o

rastreamento citológico deverá ser trienal independente da idade (B).

No caso de margens comprometidas ou na ausência dessa informação, o seguimento deverá ser feito com exame citopatológico e colposcopia semestrais nos primeiros dois anos (A). Após os dois primeiros

anos, o seguimento deverá ser feito com a citologia de forma isolada anualmente até cinco anos (I). Após

Página 90

esse período, assegurada a inexistência de lesão residual, a mulher deverá retornar para o rastreamento citológico trienal na unidade básica de saúde, independente da idade (B).

Em ambas as situações, a época da interrupção do rastreamento deve ser decidida pelo médico assistente, considerando o baixo risco de lesão vaginal e o desconforto introduzido pelo avanço da idade

(I). A história de doença intraepitelial tratada deve ser informada no pedido do exame citopatológico (B).

87

Página 91

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Tumori, v,

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Lesão intraepitelial de alto grau não podendo excluir microinvasão ou carcinoma epidermoide

invasor

Os diagnósticos citopatológicos de lesão de alto grau não podendo excluir microinvasão ou carcinoma epidermoide invasor são infrequentes: foram registrados no Brasil, em 2013, respectivamente, em 0,03% e

1

0,01% dos exames citopatológicos considerados satisfatórios e em 0,9% e 0,5% de todos os exames alterados

.

No Sistema Bethesda, a categoria lesão de alto grau não podendo excluir microinvasão existe apenas como uma observação a ser mencionada em casos de HSIL. Em consequência, existe apenas um estudo

que demonstra um risco significativamente maior de lesão pré-invasiva e invasiva nesses casos em relação a HSIL 2

.

O carcinoma microinvasor constitui o estadiamento IA da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e também é denominado microcarcinoma 3 . É uma lesão definida microscopicamente

e subdivide-se em duas categorias ou estádios: IA1 (profundidade de invasão

3mm e extensão

7mm no epitélio) e IA2 (profundidade de invasão >3 e

5mm e extensão

7mm no epitélio). Medidas de profundidade de invasão > 5mm ou extensão > 7mm caracterizam estádios a partir de IB. A invasão do

espaço linfovascular, apesar de não mudar o estadiamento deverá ser relatada, pois indicará mudança na abordagem dessas mulheres 4 .

O diagnóstico de carcinoma microinvasor é realizado em espécime obtido por EZT ou conização

(excisões tipos 1, 2 ou 3), desde que as margens cirúrgicas estejam livres. Alguns autores recomendam que a conização seja efetuada utilizando-se o bisturi frio, pois as técnicas eletrocirúrgicas (uso do eletrodo em

alça ou agulha) propiciam maior probabilidade de fragmentação do espécime e pela presença de artefatos térmicos que podem dificultar a avaliação da profundidade de invasão e do envolvimento de espaços

linfovasculares

5

.

No estádio IA1 a histerectomia extrafacial é considerada o procedimento padrão, mas já existem evidências de que mulheres conizadas ou histerectomizadas não têm diferenças de sobrevida 6 (evidência

moderada). Assim, se há desejo de manter a fertilidade ou nos casos em que o procedimento cirúrgico

é contraindicado, a conização pode ser um tratamento suficiente: se as margens cirúrgicas se mostrarem negativas para invasão ou NIC II/III, a mulher poderá ser considerada tratada desde que assegurado um

seguimento rigoroso 7,8

(evidência moderada).

O envolvimento do espaço linfovascular e o comprometimento das margens da peça do cone são fatores prognósticos para a recorrência e definem a necessidade de nova conduta

9

. Raspagliesi et al.

10

recomendam que a histerectomia radical modificada e a linfadenectomia pélvica estarão indicadas nos casos em que há invasão do espaço linfovascular. E, nos casos de margens comprometidas, defendem a realização

de uma nova conização (evidência moderada).

Já no estadiamento IA2, existe consenso de que a histerectomia radical modificada com linfadenectomia pélvica (classe II de Piver) é o tratamento mais adequado, pois as metástases para linfonodos, nesses casos,

acontecem em torno de 8% 10 (evidência moderada). Segundo Creasman et al.

11

, nesses casos, quando existe desejo de engravidar, a traquelectomia radical com linfadenectomia pélvica pode ser uma opção cirúrgica

para preservação da fertilidade (evidência moderada).

91

Página 95

92

Recomendações

Todas as pacientes que apresentem exame citopatológico com diagnóstico de lesão de alto grau não podendo excluir microinvasão ou carcinoma epidermoide invasor, ou tenham suspeita clínica de câncer na

unidade básica, devem ser encaminhadas à unidade secundária para colposcopia (A).

Nos casos de colposcopia com achados sugestivos de invasão, realizar biópsia (A). Nos demais casos, a mulher deverá ser submetida a um procedimento excisional conforme a ZT (A) (conforme

Tópicos Complementares - Tipos de excisão). Quando o resultado da biópsia for compatível com NIC

I, II ou III e JEC visualizada, deverá ser realizada excisão conforme o tipo de ZT (A). Caso a JEC não seja completamente visualizada, ou a biópsia sugerir microinvasão, a conduta recomendada é a excisão tipo 3

(A). Preferencialmente devem ser utilizadas técnicas de conização a frio (B), mas técnicas eletrocirúrgicas que garantam um espécime íntegro e com margens avaliáveis adequadamente são aceitáveis em serviços com

essa experiência (I). É inaceitável a utilização de técnicas excisionais que produzam mais de um segmento

(D). Se o resultado da biópsia revelar lesão francamente invasiva, a mulher deverá ser encaminhada para unidade terciária (alta complexidade) para procedimento específico (A).

Especialmente nos casos de lesão macroscópica ou sugestiva de invasão, pela maior possibilidade de fragmentação e necrose, deverá ser garantido que a amostra contenha epitélio escamoso e estroma

subjacente (B).

Nos casos de carcinoma microinvasor IA1 detectado em peça de procedimento excisional com margens livres sem comprometimento do espaço linfovascular, a mulher com prole incompleta poderá ser

considerada tratada (B). Nessas mulheres, se as margens estiverem comprometidas por NIC II/III, devem ser

submetidas a um novo procedimento excisional conforme o tipo de ZT (B).

A mulher com diagnóstico de carcinoma microinvasor deverá ser encaminhada para unidade terciária

(alta complexidade) numa das seguintes situações: tenha prole completa, impossibilidade de seguimento, apresente comprometimento do espaço linfovascular na peça do cone ou com estadiamento IA2 ou mais

avançado (A) ou, ainda, na presença de indícios clínicos de invasão, sem a possibilidade de biópsia ou conização para confirmação histopatológica (B).

Caso o resultado do exame de um espécime resultante de EZT ou conização excluir invasão, a paciente deve ser seguida conforme o diagnóstico obtido (A).

Seguimento após tratamento conservador de carcinoma microinvasor do colo uterino

Inexistem estudos que investiguem a melhor forma de seguir mulheres tratadas conservadoramente para carcinoma microinvasor do colo uterino.

Recomendações

Mulheres tratadas conservadoramente para carcinoma microinvasor do colo uterino devem ser acompanhadas como as mulheres tratadas para NIC II/III e maior risco de recorrência (I). Assim o

seguimento deverá ser feito com exame citopatológico e colposcopia semestrais nos primeiros dois anos (A).

Após os dois primeiros anos, o seguimento deverá ser feito com a citologia de forma isolada anualmente até

cinco anos (I). Após esse período, assegurada a inexistência de lesão residual, a mulher deverá retornar para o rastreamento citopatológico trienal na unidade básica de saúde (B). A história de doença microinvasiva

tratada conservadoramente deve ser informada no pedido do exame citopatológico (B).

Na evidência de lesão residual ou recorrente, a mulher deverá ser conduzida da mesma forma quando da lesão inicial (A).

Página 96

As condutas recomendadas para as pacientes com lesões de alto grau não podendo excluir microinvasão, carcinoma epidermoide invasor ou com suspeita clínica de invasão, são apresentadas na Figura 9.

Figura 9 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de HSIL, não podendo excluir microinvasão, carcinoma epidermoide invasor ou com suspeita clínica de invasão

Situações especiais

Gestantes

Como afirmado no capítulo anterior, a colposcopia pode ser realizada em qualquer época da gestação e a biópsia pode ser realizada com segurança. Inexistem evidências de progressão de lesões microinvasivas

durante a gestação, e os procedimentos excisionais, quando realizados nesse período, aumentam risco de abortamento, parto prematuro e frequentemente apresentam complicações como sangramento excessivo.

Recomendações

Para as gestantes, deve ser realizada uma biópsia somente na presença de alteração colposcópica sugestiva de invasão (A). Na sua ausência, os demais procedimentos excisionais devem ser realizados

somente 90 dias após o parto (A).

93

Página 97

Referências

Sistema de informação

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94

Página 98

Adenocarcinoma in situ

e invasor

A prevalência do diagnóstico citopatológico de AIS ou invasor no Brasil foi menor do que 0,01%

entre todos os exames realizados em 2013 e ocorreu em 0,29% de todos os exames alterados nesse ano 1 .

Todavia, 50% dos casos de AIS podem coexistir com lesões escamosas pré-invasivas ou carcinoma invasivo

2,3

(evidência moderada e alta), o que pode dificultar o diagnóstico, já que os fatores de risco para AIS são semelhantes àqueles para as doenças pré-invasivas escamosas 3 (evidência alta). Aproximadamente 48% a

69% das mulheres com laudo citopatológico sugestivo de AIS apresentam confirmação da lesão no exame de histopatologia e, dessas, 38% apresentam laudo de invasão

4

(evidência alta).

Em cerca de 5% a 15% dos casos de AIS as lesões são multifocais

5 (evidência moderada). Ademais, as lesões podem não ser contíguas, implicando no fato de que, mesmo se as margens se mostrarem livres

de doença em espécimes obtidos por conização, não há garantia de que a lesão tenha sido totalmente extirpada 6 (evidência alta). Uma metanálise que reuniu estudos que agregaram 1.278 pacientes mostrou

que o risco de doença pré-invasiva glandular residual ou recorrente após conização com margens cirúrgicas comprometidas foi de 19,4% e 52,8%, respectivamente. Já nos casos de margens livres de doença, foi de 2,6%

e 20,3%, respectivamente 3

(evidência alta). Outros estudos reforçam um risco maior para doença residual ou recorrente em mulheres submetidas à conização para abordagem do AIS 7,8 (evidências moderadas). Com

base nesse risco, a maioria dos autores recomenda a histerectomia total como tratamento definitivo em pacientes com prole completa. No entanto, a conização pode ser suficiente para o tratamento de AIS em

pacientes sem prole constituída e cone com margens livres.

Concernente à avaliação endometrial em mulheres com diagnóstico citológico de AIS ou invasor do colo uterino, a ASCCP recomenda a avaliação endometrial em conjunção com a colposcopia e a amostragem

endocervical para todas as mulheres acima de 35 anos de idade e para as mais jovens com risco de câncer do endométrio 9,10 (evidência moderada).

A USTV tem demonstrado utilidade para o diagnóstico de doenças endometriais em mulheres na pós-menopausa; contudo, alguns autores têm questionado seu valor nas mulheres em idade reprodutiva,

pois pode ter menor sensibilidade em diagnosticar a doença endometrial nessas mulheres 11,12

(evidência moderada). Nas mulheres na perimenopausa e pós-menopausa, a histeroscopia com biópsia parece ser o

(evidência alta).

melhor exame para diagnosticar hiperplasia endometrial 13

Independente da idade, a USTV apresenta menor acurácia do que a histeroscopia no diagnóstico de doença endometrial. Um estudo brasileiro com 812 pacientes com média de idade de cerca de 50 anos

(variando entre 17 e 89 anos) com indicação de histeroscopia diagnóstica avaliou a acurácia da USTV realizada por vários serviços no SUS no diagnóstico de todas as alterações da cavidade uterina e do endométrio,

utilizando como padrão ouro a histeroscopia com biópsia. A USTV apontou corretamente para a presença ou ausência de doença em 74,5% dos casos, mas deixou de diagnosticar aproximadamente 13% das doenças

14

detectadas pela histeroscopia com biópsia (sensibilidade de 87,4%)

(evidência moderada).

O teste de DNA-HPV negativo para tipos oncogênicos pode ser útil para identificar mulheres com

15

maior risco de doença endometrial que cervical, sobretudo em pacientes acima de 50 anos de idade

(evidência moderada). Adicionalmente, o teste DNA-HPV negativo após o tratamento identifica pacientes com menor risco de persistência e de recidiva de AIS

16

(evidência moderada). No entanto, risco per se

não dispensa a avaliação endometrial nem é suficiente para estabelecer uma conduta diagnóstica ou terapêutica.

95

Página 99

96

Existe controvérsia quanto à possibilidade de uso de técnicas eletrocirúrgicas para tratamento excisional de doença pré-invasiva glandular devido a relatos de danos térmicos significativos, dificultando a

análise das margens cirúrgicas. Ainda, a conização com bisturi mostra proporção mais elevada de margens livres quando comparada com a eletrocirurgia

3,17,18

(evidência alta). No entanto, pode-se realizar a conização com eletrocirurgia, desde que se obtenha um espécime intacto e com margens cirúrgicas interpretáveis 9

(evidência moderada).

Não foram encontradas evidências práticas de seguimento após tratamento do AIS que ofereçam maior efetividade.

Recomendações

Mulheres com exame citopatológico sugestivo de AIS ou invasor devem ser encaminhadas para colposcopia na atenção secundária (A). Essas pacientes terão indicação de excisão tipo 3, exceto se, à

colposcopia, forem observados achados sugestivos de invasão. Nessa situação, a biópsia deve ser realizada

(A). Caso o diagnóstico histopatológico confirme essa suspeita, encaminhar para atenção terciária (alta complexidade) (A). Caso a biópsia seja negativa ou tenha outro diagnóstico que não de doença invasiva, a

indicação de conização do colo uterino deve ser mantida (A). A escolha da técnica de excisão deve considerar a necessidade de fornecer um espécime único e com margens adequadas para avaliação (A).

É recomendável a avaliação endometrial em pacientes com 35 anos ou mais (A). Abaixo dessa idade, a investigação endometrial deverá ser realizada se presente sangramento uterino anormal ou condições

sugestivas de anovulação crônica (B).

O resultado de AIS no espécime de excisão indica a histerectomia simples (A), exceto nas pacientes com prole incompleta, para as quais a conização poderá ser considerada suficiente (B). Na eventualidade de

margens comprometidas no espécime cirúrgico e mulher com prole completa, uma nova excisão deverá ser realizada, sempre que possível, para excluir doença invasiva (A). No diagnóstico de câncer, a mulher deve ser

encaminhada para unidade terciária (alta complexidade) (A).

Nos casos em que a excisão tipo 3 for considerada tratamento (prole incompleta) e o exame histopatológico da peça cirúrgica mostrar margens livres de doença ou comprometidas por NIC I, a mulher

deverá ser submetida à citologia 6 e 12 meses após o procedimento (A). A colposcopia poderá ser realizada a critério do serviço (I). Depois, o seguimento deverá ser feito com a citologia de forma isolada anualmente

até cinco anos do procedimento (I). Após esse período, assegurada a inexistência de lesão residual, a mulher deverá retornar para o rastreamento citológico trienal na unidade básica de saúde (B). A história de doença

intraepitelial tratada deve ser informada no pedido do exame citopatológico (B). Na evidência de lesão residual ou recorrente, a mulher deverá ser conduzida da mesma forma quando da lesão inicial ou tratada

com histerectomia (A).

As pacientes histerectomizadas devem manter seguimento citológico anual por cinco anos e trienal a seguir (I).

As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de AIS são apresentadas na

Figura 10.

Página 100

Figura 10 -

Fluxograma de recomendações de conduta para mulheres com diagnóstico citopatológico de AIS ou adenocarcinoma invasor

Situações especiais

Mulheres até 24 anos, na pós-menopausa e imunossuprimidas

Mulheres até 24 anos, na pós-menopausa e imunossuprimidas devem ser investigadas da mesma forma que as demais mulheres (A).

Gestantes

Gestantes devem ser investigadas da mesma maneira, exceto pelo estudo endometrial, que não é

factível (D). A biópsia de colo do útero deverá ser realizada na suspeita de doença invasiva, e o procedimento excisional, caso indicado, deverá ser realizado 90 dias após o parto (A).

97

Página 101

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98

Página 102

Tópicos Complementares

Neste capítulo, analisam-se situações que se aplicam a mais de um diagnóstico citológico.

Avaliação do canal endocervical

Em várias situações nas recomendações existentes nos capítulos anteriores há a indicação de investigação da endocérvice, o que pode mudar a conduta, indicando uma conização ou seguimento.

Considerando as evidências extraídas dos ensaios clínicos encontrados que compararam o desempenho da curetagem endocervical frente ao escovado endocervical, se conclui que ambas as técnicas

têm desempenho diagnóstico semelhante quando se obtêm espécimes adequados para análise em mulheres sem lesões macroscópicas e sem doença ou procedimento cervical prévio (critérios de exclusão dos ensaios

1-4

clínicos considerados)

(evidência alta). Um grande estudo observacional mostrou sensibilidade maior para o escovado examinado em meio líquido frente à curetagem endocervical, porém não houve cegamento

do avaliador e não houve comparação com citologia convencional (evidência moderada). Os resultados falso-positivos em ambos os procedimentos podem ser decorrentes da contaminação por material da

ectocérvice

5

(evidência baixa). A curetagem endocervical apresenta desvantagem por causar dor

4

(evidência moderada). Não se encontraram estudos em que as pacientes foram selecionadas apenas quando ausentes

achados anormais na ectocérvice, o que dificulta a aplicação dos resultados a muitas situações em que é

recomendada a avaliação do canal endocervical antes de indicar uma conização nessas Diretrizes.

Também não se encontraram evidências de danos às gestantes submetidas à curetagem endocervical, mas existe consenso de que esse procedimento deve ser evitado nessa situação. Já para o escovado, não se

encontraram objeções.

DeMay 6 recomenda que a coleta endocervical deva ser feita introduzindo todas as cerdas da escova e rodando por três a cinco giros.

Na busca de evidências sobre a necessidade do escovado endocervical com o objetivo de avaliação do canal endocervical ser acompanhado de material da ectocérvice ou sobre possíveis prejuízos ao exame

colposcópico decorrentes de sangramento resultante da coleta citológica, não foram encontrados estudos que tratassem especificamente dessas questões.

Recomendações

Nas situações em que for necessária a avaliação do canal endocervical antes de indicar uma conização,

é preferível a utilização do escovado endocervical para exame citopatológico por menor probabilidade de material inadequado para exame (B). O escovado endocervical deve ser realizado de forma cuidadosa,

introduzindo todas as cerdas da escova e rodando por 3 a 5 giros por toda a extensão do canal (I). Na solicitação do exame, deve ser enfatizada a indicação orientando o citologista para a suspeita diagnóstica e

justificando a possível ausência de epitélio escamoso (B).

Nos serviços com boa experiência em obter material de curetagem endocervical com pequena proporção de espécimes inadequados, esse procedimento poderá ser uma alternativa, embora produza

mais desconforto na paciente (B). Nessa opção, todo o material obtido deve ser depositado no formol,

99

Página 103

100

sem qualquer procedimento com o objetivo de separar o material tecidual de coágulos (I). A curetagem endocervical deve ser evitada em gestantes (D).

Coleta de espécimes para exame citopatológico concomitante à

colposcopia

Existem situações em que pode ser necessária a coleta de uma amostra cervical para exame citopatológico na mesma consulta em que se pretende realizar uma colposcopia. São exemplos pacientes em

seguimento ou em que não tenha sido possível obter material para citologia previamente por dificuldade de acesso ao canal endocervical, como após uma conização. Nessas situações, houve dúvidas de quando seria

adequado obter esse material, pois, se coletado antes, pode prejudicar a colposcopia e, se depois, poderia ser prejudicado pelo uso de reagentes.

Na busca de evidências sobre a possibilidade de coleta de material para citologia após o uso do

ácido acético, identificaram-se apenas quatro artigos. Todos buscaram comparar os resultados do exame citopatológico de esfregaço cervical convencional coletado antes e depois da aplicação do ácido acético.

Cronjé et al., Hornemann et al. e Hoellen et al., apesar de encontrarem diferenças de desempenho diagnóstico em favor da coleta anterior à aplicação de ácido acético em mulheres com citologia prévia

7-9

normal ou alterada, essas não foram estatisticamente significativas

. Já Griffiths et al.

10

relataram relevantes diferenças na qualidade da amostra e, em consequência, seu desempenho diagnóstico, favorecendo a coleta

prévia à colposcopia. Todos os estudos têm limitações relacionadas ao tamanho amostral, que pode não ter sido suficiente para demonstrar ausência de diferenças (evidência baixa).

Por outro lado, o estudo randomizado de Cronjé et al. mostrou diferenças significativas de propriedades de coloração e celularidade, desfavorecendo os esfregaços coletados após aplicação do ácido

acético 7 , mas não se encontraram mais estudos com os mesmos achados, o que limita o grau de certeza

(evidência moderada). Não foram encontrados estudos comparando o desempenho da colposcopia após coleta citológica.

Recomendações

Nas situações em que é necessária a coleta de amostra citológica, esta deve ser priorizada e é preferível que anteceda a colposcopia (B). Os profissionais devem optar por realizar a colposcopia em seguida ou

em outra oportunidade (I). Quando a coleta não tiver sido antecipada, a aplicação do ácido acético não contraindica a nova coleta citológica, o que deve ser informado no pedido do exame (I).

Medidas para auxiliar a visão da junção escamocolunar

As lesões intraepiteliais cervicais são na maioria das vezes colposcopicamente visíveis em toda sua extensão, especialmente em pacientes jovens. A proporção de lesões localizadas no canal endocervical

aumenta com a idade, uma vez que a JEC e a ZT movem-se em direção ao interior do canal no climatério 11

.

A ZT tem sido reconhecida como a região preferencial para as lesões pré-invasivas do colo uterino.

Dessa maneira, é de suma importância ver a JEC em sua toda a sua circunferência

12

.

A frequência de colposcopias em que a JEC não é completamente visível varia de 4% a 53% dos exames, sendo influenciada pela experiência do colposcopista, idade da paciente e a idade de instalação da

menopausa. A dificuldade na visão completa da JEC em pacientes com anormalidades citológicas leva em

Página 104

algumas situações à conização diagnóstica. No entanto, a possibilidade de examinar o canal endocervical e se ver a JEC nessas situações poderia evitar esse procedimento, ou adaptar a profundidade do cone à

extensão da lesão dentro do canal

12,13

.

Algumas manobras durante o exame colposcópico podem expor a JEC e lesões endocervicais, tais como maior abertura do espéculo ou pressão por meio de pinça na transição entre colo e vagina, entre

outras 12,14

.

Poucos trabalhos na literatura avaliaram a estrogenioterapia em pacientes com colposcopia em que a

JEC não era completamente visível. Os trabalhos encontrados são conflitantes em relação à dose utilizada, além de apresentarem número pequeno de casos. Os estrogênios tornam o muco cervical mais aquoso e

transparente e o orifício cervical torna-se mais aberto, facilitando assim a avaliação do canal endocervical na busca da JEC 14

.

15

De acordo com Prendiville et al.

, a estrogenioterapia por via oral em mulheres menopausadas, com citologia anormal e colposcopia sem JEC visível apresenta taxa de sucesso de 64% dos casos na visão completa

da ZT (evidência moderada). Outros autores 16 também observaram que a avaliação colposcópica completa da ZT foi possível numa proporção significativamente maior num grupo tratado com estrogênio oral em

relação ao grupo que não recebeu esse medicamento (70%

versus

23%; p<0,01) (evidência moderada).

13

Makkar et al.

também observaram utilidade no uso de estradiol vaginal com visão total da JEC num exame subsequente em 82,6% das mulheres que usaram esse medicamento (evidência moderada).

Alguns estudos 14,17-20

, a maioria da década de 1990, avaliaram o uso de dilatadores higroscópicos do canal endocervical. Neles, a exposição da JEC foi possível em 61% a 94,4% das pacientes com anormalidades

citológicas e colposcopia sem JEC visível (evidência moderada). Entre as complicações do método citam-

14,18,21 (evidência moderada). Não são se a dificuldade de remoção do dilatador e as lesões por estiramento

métodos utilizados correntemente em nosso meio.

Outros estudos investigaram o uso de misoprostol para tornar a JEC visível, com resultados

22-25

satisfatórios

(evidência moderada). Makkar et al.

13

não observaram diferença estatisticamente significativa entre o uso dessa substância e estradiol vaginal, mas a primeira produziu mais efeitos indesejados (evidência

moderada).

O emprego da cervicoscopia ou da microcolpo-histeroscopia (níveis de ampliação de 1 a 150

vezes) apresenta limitações que incluem o custo elevado do equipamento, a necessidade de treinamento e experiência, e a habilidade para interpretação de detalhes citológicos

in vivo

26-28

.

Recomendações

Na situação em que a JEC não é visível ou parcialmente visível, é recomendável a realização das seguintes manobras durante o exame colposcópico: maior abertura do espéculo ou pressão por meio de

pinça na transição entre o colo e a vagina; retirada do muco cervical ou sua introdução no canal por meio de

swab ou bola de algodão, embebida por ácido acético; uso de espéculos endocervicais (pinças de Mencken

ou Kogan) ou uso dos ramos de uma pinça de dissecção longa ou Cheron (A).

Quando essas manobras não são suficientes, é recomendável o uso de estrogênios (B): estradiol 1 ou

2mg ou estrogênios conjugados 0,625mg por via oral por até dez dias ou vaginal (estrogênios conjugados

0,625mg) entre cinco e 14 dias antes de uma nova colposcopia (I).

Em função da falta de evidências adequadas ou presença de efeitos indesejados, não são recomendadas técnicas como a dilatação higroscópica do canal (uso de laminárias) ou uso do misoprostol

(oral ou tópico) (D).

101

Página 105

102

Tipos de excisão

A constatação de que alguns termos têm sido usados indistintamente para procedimentos excisionais diferentes motivou a inclusão de uma classificação de tipos de excisão em função de cada tipo de ZT na nova

nomenclatura colposcópica recomendada pela IFCPC a partir de 2011 29 . Tatti et al. 30 mencionam que, no

Reino Unido, a conização é entendida como a retirada de uma porção significativa do canal endocervical, e esse termo é reservado para aqueles colos nos quais a lesão está fora da visão colposcópica no interior do

canal. Já para muitos colposcopistas nos EUA e Europa, a conização significa a excisão de qualquer tipo de

ZT, independente de quanto de canal foi retirado.

No Brasil, também se observa certa confusão. O termo CAF (cirurgia de alta frequência), introduzido no final dos anos 1980, serviu para popularizar o método de excisão da ZT com JEC visível e até o primeiro

centímetro do canal. Esse termo foi utilizado em material para orientação profissional preparado pela

ABPTGIC 31 e mantido nas diretrizes brasileiras de 2006

32

. T odavia, o termo CAF passou a ser utilizado indistintamente para biópsias e, com a disseminação de técnicas de conização por eletrocirurgia, tornou-se

muito difícil saber qual o procedimento realizado quando havia o relato de uma mulher ter sido submetida a uma CAF. Para disciplinar o uso desses termos, o Ministério da Saúde definiu, em 2010, que o tratamento

excisional ambulatorial deveria ser chamado de EZT. Qualquer outra abordagem que tenha por objetivo retirar a ZT endocervical era denominada conização, independente do método utilizado para sua realização

(por eletrocirurgia, por laser

ou bisturi convencional)

33

.

Outra consequência é a dificuldade de comparar resultados de estudos, pois frequentemente deixam de descrever os procedimentos utilizados.

Além da confusão de termos, existe evidência consistente de que a excisão incompleta, suposta a partir da verificação de margens cirúrgicas comprometidas por doença pré-invasiva, é o fator prognóstico

mais relevante para doença residual ou recorrente

34-36

, o que levou Prendiville a propor um tipo de excisão para cada tipo de ZT, numa tentativa de diferenciar os procedimentos excisionais e assegurar a excisão

completa da ZT 30,37

.

Posteriormente, a nova nomenclatura colposcópica internacional, adotada nessa versão das Diretrizes,

37

mencionou três tipos de excisão: 1, 2 e 3, definidas conforme o tipo de ZT (Figura 11)

:

Página 106

Figura 11 -

Tipos de zona de transformação (reproduzido com autorização e traduzido de Prendiville, 2003)

A EZT, procedimento destinado a tratar a doença ectocervical ou que não se estende mais de 1 cm no canal endocervical, é classificada por Prendiville como excisão do tipo 1.

Para tratar a doença que ocupa uma ZT do tipo 2, é necessário retirar maior porção do canal endocervical, o suficiente para ultrapassar a JEC, o que usualmente será obtido com excisão de profundidade

entre 1,5 e 2,0 cm, sendo então denominada excisão do tipo 2.

Quanto às ZT do tipo 3, é necessária maior profundidade de excisão. Segundo Przybora e Plutowa, a quase totalidade das NIC III situa-se até o segundo centímetro do canal, incluindo as glandulares

38

. Essa observação é reforçada por Guerra et al. que observaram que, em 99% dos casos, essas lesões situam-se

(evidência moderada). Dessa forma, para excisar uma ZT do tipo 3, no primeiro centímetro do canal 39

40,41

Prendiville e Cullimore recomendam retirar entre 2 e 2,5 cm de canal

, caracterizando uma excisão do tipo 3.

103

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Página 110

PARTE III - ANEXOS

107

Página 111
Página 112

Anexo 1 - Participantes

Comitê Gestor

Patrícia Chueiri, Alexandre Ribas de Carvalho e Rúbia Santos (CGAPDC/SAS/MS)

Maria Beatriz Kneipp Dias, Itamar Bento Claro, Flávia de Miranda Corrêa, Maria Asunción Sole Plá,

Marcus Félix, Mario Lucio Cordeiro Araujo Jr. e Olímpio Ferreira de Almeida Neto (Detecção Precoce;

Epidemiologia; SITEC e HCII - INCA/SAS/MS)

Fábio Russomano (IFF/Fiocruz)

Paula Maldonado (IG/UFRJ e ABPTGIC)

Garibalde Mortoza e Jefferson Valença (ABPTGIC)

Luiz Carlos Zeferino, Walquiria Quida Salles Pereira Primo e Etelvino Trindade (Comissão Nacional

Especializada do Trato Genital Inferior e de Oncologia Ginecológica e Presidência da Febrasgo)

Comitê de Especialistas

Ceres Nunes Resende Oyama (Universidade de Brasília)

Leticia Maria Correia Katz (Sociedade Brasileira de Citopatologia)

Maria Del Pilar Estevez Diz (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo)

Rita Goreti Amaral (Universidade Federal de Goiás e Sociedade Brasileira de Citologia Clínica)

Zeliete Zambon e Melanie Maia (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade)

Coordenação

Fábio Russomano (IFF/Fiocruz)

109

Página 113

110

Grupos Revisores

Capítulo

Método, periodicidade e

população-alvo do rastreamento

Citologia normal

ASC e AOI

AGC, AIS e AdenoCA

LSIL

HSIL

HSIL-micro

Carcinoma epidermoide invasor

Citologia durante a colposcopia/

avaliação do canal endocervical

Tornando a JEC

visível

Tipos de excisão

Líder

Luiz Carlos Zeferino e Joana Bragança

Bastos

Rita Zanine

Yara Furtado

Walquíria Quida Salles Pereira Primo

Flavia Miranda Correa

Isabel Cristina Chulvis do Val

Letícia Katz

Adriana Campaner e Rosane Figueiredo

Alves

Fábio Russomano e Maria José de

Camargo

Participantes externos aos grupos

Conceição Cornetta

Ana Katherine da Silveira Gonçalves

Apoio

Angélica Silva, Enéas Santos e Márcio Barbosa (Laboratório de Telessaúde do IFF/Fiocruz)

Grupo revisor

Diama Bhadra Andrade Peixoto do Vale,

Gulnar Azevedo e Silva, José Eluf Neto,

José Humberto Fregnani, Lise P. Cury,

Maricy Tacla, Marcia Terra Cardeal, Neila

Speck, Tania Lago

Dulcimary Dias Bitencourt

Evandro Russo

Gutemberg Almeida, Maria José

de Camargo, Jupira Mesquita (in memorian), Andréa Cytryn

Etelvino de Souza Trindade, Adalberto

Xavier Ferro Filho, Paulo Sérgio Viero

Naud, Wanuzia Miranda Moreira

Filomena Aste, Edison Natal Fedrizzi,

Angela Rosa Imperio Meyrelles, Juliana

Monteiro

Susana Aidé, Rita Zanine, Manoel Afonso,

Yara Furtado, Renato Bravo, Newton

Carvalho

Nathalie Raibolt, Marise Moreira, Fábio

Russomano

Página 114

Anexo 2 - Links para gravações das reuniões virtuais

Data/hora

2 de agosto de 2013

6 de setembro de 2013

4 de outubro de 2013

8 de novembro de 2013

6 de dezembro de 2013

10 de janeiro de 2014

7 de fevereiro de 2014

7 de março de 2014

4 de abril de 2014

23 de maio de 2014

6 de junho de 2014

Temas

Método, periodicidade e população-alvo do rastreamento

Resultado normal, alterações benignas e queixas ginecológicas

ASC-US

ASC-H

AGC

AGC - continuação

AOI

Tópicos complementares: avaliação do canal endocervical e coleta de

espécimes para exame citopatológico concomitante à colposcopia

AGC - continuação

LSIL

LSIL - continuação

HSIL

LSIL - continuação

HSIL - continuação

HSIL não podendo excluir microinvasão/

carcinoma epidermoide invasor

HSIL - continuação

HSIL não podendo excluir microinvasão/

carcinoma epidermoide invasor - continuação

AIS e Adenocarcinoma invasor

Tópicos complementares: medidas para auxiliar a visão da junção escamocolunar

Links para gravação

http://webconf2.rnp.br/p4qi0jwnkbj/

http://webconf2.rnp.br/p7s157l3qke/

(não houve)

http://webconf2.rnp.br/p7rodum5isz/

http://webconf2.rnp.br/p5274lutumc/

http://webconf2.rnp.br/p4coc9yjme6/

http://webconf2.rnp.br/p77h0g0h60a/

http://webconf2.rnp.br/p78w2162lf5/

http://webconf2.rnp.br/p3vntex6upv/

http://webconf2.rnp.br/p948mv78va3/

http://webconf2.rnp.br/

p1buqhov2mm/

111

Página 115

112

Anexo 3 - Terminologia colposcópica do colo do

útero

Etapas de descrição*

Avaliação geral

Achados colposcópicos

normais

Achados colposcópicos

anormais

Suspeita de invasão

Miscelânea

Características

Colposcopia adequada ou inadequada (especificar o motivo sangramento, inflamação, cicatriz etc.)

Visibilidade da junção escamocolunar: completamente visível, parcialmente visível e não visível

Zona de transformação Tipo 1, 2 ou 3

Epitélio escamoso original (maduro ou atrófico)

Epitélio colunar (inclusive ectopia)

Epitélio escamoso metaplásico: com cistos de Naboth e/ou orifícios (glandulares) abertos

Deciduose na gravidez

Princípios gerais

Grau 1 (menor)

Grau 2 (maior)

Não específicos

Localização da lesão: dentro ou fora da ZT e de acordo com a posição do relógio

Tamanho da lesão: número de quadrantes do colo uterino envolvidos pela lesão e tamanho da lesão em porcentagem do

colo uterino

Epitélio acetobranco tênue, de borda irregular ou geográfica, mosaico fino ou pontilhado fino

Epitélio acetobranco denso, acetobranqueamento de aparecimento rápido, orifícios glandulares espessados, mosaico

grosseiro, pontilhado grosseiro, margem demarcada, sinal da margem interna, sinal da crista (sobrelevação)

Leucoplasia

(queratose, hiperqueratose),

erosão, captação da solução de lugol: positiva (corado) ou negativa (não corado) (teste

de Schiller negativo ou positivo)

Vasos atípicos

Sinais adicionais: vasos frágeis, superfície irregular, lesão exofítica, necrose, ulceração

(necrótica), neoplasia tumoral/grosseira

Zona de transformação congênita, condiloma, pólipo (ectocervical/endocervical), inflamação, estenose, anomalia congênita, sequela pós-tratamento, endometriose

*Adaptado de BORNSTEIN, J. et al. 2011

Colposcopic Terminology of the International Federation for Cervical Pathology and

Colposcopy

.

Obstetrics Gynecology, v. 120, n. 1, p. 166-172, 2012.

Página 116

Anexo 4 - Conflitos de interesse

Foram declaradas as seguintes possíveis fontes de conflitos de interesse por parte dos participantes nos

últimos cinco anos:

Tiveram vínculos institucionais passados e em perspectiva futura com indústria voltada para produtos de saúde:

Paulo Sérgio Viero Naud

Receberam valores ou insumos como parte de projetos de pesquisa ou a título de patrocínio, consultoria ou assessoria por

parte da indústria voltada para produtos de saúde:

Edison Natal Fedrizzi

José Eluf Neto

Maria Del Pilar Estevez Diz

Newton Carvalho

Paulo Sérgio Viero Naud

Receberam prêmios, presentes, brindes de valor relevante ou custeio de viagens a congressos e outras atividades científicas

ou de lazer por parte da indústria voltada para produtos de saúde:

Adriana Campaner

Isabel Cristina Chulvis do Val

Marcia Terra Cardeal

Maria Del Pilar Estevez Diz

Maricy Tacla

Neila Speck

Newton Carvalho

Paulo Sérgio Viero Naud

Wanuzia Miranda Moreira

113

Página 117

114

Proferiram palestras em eventos científicos ou afins ou demais atividades patrocinadas pela indústria voltada para produtos

de saúde com recebimento de recursos:

Adriana Campaner

Edison Natal Fedrizzi

Isabel Cristina Chulvis do Val

Marcia Terra Cardeal

Maria Del Pilar Estevez Diz

Neila Speck

Newton Carvalho

Paulo Sérgio Viero Naud

Susana Aidé

Wanuzia Miranda Moreira

Página 118

115

Página 119

Esse livro foi impresso em offset, papel couché mate, 115g, 4/4.

Fonte: Minion, corpo 11

Rio de Janeiro, julho 2016.

Página 120

Biblioteca Virtual em Saúde Prevenção e Controle de Câncer http://controlecancer.bvs.br/

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Fonte de Informação

Última atualização

21 de janeiro de 2025

Formato

PDF - 120 páginas

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